terça-feira, 30 de junho de 2009

Pina Bausch (27/07/1940 - 30/06/2009)



Estamos mais pobres.

tudo decidido

F-22 nas Lajes em 2010

Como era de esperar já tudo está decidido e como habitual, nas costas dos açorianos.

Não há cá tempo para estudos de impacto ambiental, medições poluição sonora, avaliação de riscos ou negociação de contrapartidas. Os treinos começam para o ano e já este verão virão aos Açores algumas aeronaves para fazer ensaios.

Se Portugal tinha alguma hipótese de fazer pressão negocial, agora é que já foi mesmo pelo cano abaixo. E toda a gente se cala...

4255 euros


Óptimo. Mas, dividindo-os em partes iguais (que sabemos que não são) pelas cerca de 4700 explorações agrícolas da Região, cada agricultor teria direito à fabulosa soma de 4255,32 Euros! É isto que vai dar finalmente competitividade às nossas produções?

Foi por estes trinta dinheiros que os nossos governantes venderam em Bruxelas a sobrevivência da nossa agricultura?

quem pode manda


Parece que o Presidente do Governo Regional se prepara para dar a machadada final na sua já fragilizada Secretária Regional da Educação e Formação. Carlos César está certamente muito preocupado com a fuga dos votos dos professores para o Bloco de Esquerda, facto que amargamente verificou nas passadas europeias. Daí que prefira desautorizar publicamente Lina Mendes a entrar numa guerra que apenas daria força aos seus adversários.

E a SREF? como fica no meio disto tudo? Como vai aceitar esta menorização da sua figura e - mesmo - do seu cargo? Com que credibilidade poderá agora ir às escolas ou enfrentar os professores? A verdade é que a sua enorme falta de talento governativo conseguiu em poucos meses arruinar todas as expectativas que sobre ela foram depositadas. Estaremos assim perante a 1ª remodelação governamental, a menos de um ano das últimas eleições regionais?

Fica sobretudo uma lição sobre como funciona o Governo Regional. Todo o poder reside no Presidente. Um poder absoluto e pessoal que só admite relações de subordinação e obediência ao chefe. Alguém fica surpreendido?

sábado, 27 de junho de 2009

do mundo: boas e más notícias

Da Irlanda do Norte chegam boas notícias. Os grupos protestantes lealistas aceitam finalmente depor suas armas.

O radicalismo protestante foi sempre um dos principais factores de instabilidade no país, beneficiando durante muito tempo do beneplácito das autoridades inglesas para manter viva uma guerra que Londres considerava útil para os seus próprios fins políticos.

Quatro anos depois de o IRA ter tomado unilateralmente a decisão de baixar as armas, os grupos protestantes, os que mais tem ameaçado o processo de paz e que maiores entraves lhe têm colocado, parecem finalmente perceber que no Ulster só haverá vitórias desarmadas. Ainda bem.


Dos Estados Unidos da América chega-nos a notícia que a administração Obama continua a contemplar a ideia de manter prisioneiros sem culpa formada ou julgamento com períodos de detenção "indefinida".

Pese embora a vozearia do novo Presidente sobre o império da Lei e sobre os EUA voltarem a ser um estado de direito, parece que há questões que são intocáveis. Nomeadamente a vontade dos EUA poderem continuar a raptar e incarcerar indefinidamente pessoas em qualquer ponto do mundo, em função das suas conveniências políticas. É pena.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

zero não. menos que zero.

Aproximamo-nos do tempo dos balanços da acção governativa, o lógico e necessário exercício de reflexão sobre as eleições legislativas.

E é bom que os partidos, os média, os comentadores profissionais e os amadores o façam com alguma seriedade, senão enfrentaremos certamente oo mesmo desinteresse e abandono que enfrentámos nas últimas eleições europeias.

Esta semana ficámos a saber que somos o 2º país mais pobre da Europa a 25, apenas ultrapassados (mas quase ex aequo) pela Eslovénia. Esta semana também tomámos consciência, através das previsões da insuspeita OCDE, da inutilidade que foram os muitos anos de aperto de cinto para o controlo do défice, que afinal este ano já andará para os 6,5%.

E são números paradigmáticos do falhanço da política deste Governo. A verdade é que o país está mais pobre, mais desigual, menos competitivo, menos produtivo.

Mas, em todas as áreas, a política de Sócrates só agravou e criou problemas, sem ter conseguido resolver um único. A educação está um caos, as universidades estão na falência, os professores, pais e alunos estão descontentes. Na saúde encerraram-se múltiplas unidades, as populações estão revoltadas, a taxa de mortalidade infantil voltou a aumentar (ainda que residualmente) e os índices de incidência de diversas doenças voltam a crescer. Do ponto de vista social, o Governo conseguiu por contra ele todos, mas absolutamente todos, os sectores profissionais do país. Dos polícias e militares, aos professores, médicos, enfermeiros e às vítimas do costume, os funcionários públicos. Mesmo das grandes obras públicas prometidas não conseguiu realizar uma única. E tantas, tantas coisas mais que poderia apontar...

Mais do que não ter feito nada, tudo o que este Governo fez, fez mal. Mais do que em fim de ciclo político, estamos perante o inegável desastre, o falhanço gigantesco que ninguém consegue já esconder. Apenas, tibiamente, culpar a crise internacional. Nem com benzina Sócrates consegue limpar a mancha que foi a sua acção governativa.

Tento, honestamente, encontrar uma coisa, uma só que fosse, na actuação deste Governo e não encontro... E o resto dos portugueses? Encontrará uma razão só que seja para apoiar Sócrates?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

influência

Ilda Figueiredo foi re-eleita Vice-Presidente do Grupo Parlamentar da Esquerda Unitária Europeia (GUE-NL)

E Luís Paulo Alves? E Maria do Céu Patrão Neves? Serão mais que meras sombras apagadas, desconhecidas mas obedientes às disciplinas das respectivas bancadas parlamentares? No fundo, o que é que pesam? O que é que influenciam?

subsídio de silêncio

Região recebe 20 milhões para compensar fim das quotas leiteiras

Confirma-se assim o fim do ciclo do leite nos Açores. Independentemente do nível de modernização das explorações, o pequeno (comparativamente) volume da produção e os custos do transporte fazem com que, sem um regime de protecção, nunca possamos vir a competir em pé de igualdade com as grandes potências europeias.

A magra compensação anunciada não resolverá nenhum problema. Até porque se trata de uma questão de mercado e não de uma questão de produção ou de qualidade. Esse dinheiro não vai servir para dar competitividade ao sector, mas apenas para comprar silêncios.

O Secretário Regional da Agricultura ficou todo contente com o resultado da reunião do Conselho dos Ministros da Agricultura e Pescas da União Europeia e nem se lembrou que Luís Paulo Alves, do seu partido, esteve há poucas semanas num debate na televisão a declarar que o PS ia combater com firmeza o fim das quotas leiteiras.

Mas o Secretário Regional tem razões para estar satisfeito. Afinal tem o seu problema resolvido com 20 milhões de euros para calar descontentamentos e protestos. Um bom subsídio de silêncio.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

a importância de umas e de outras coisas

De todos os políticos regionais, só oito são sérios! A conclusão retira-se da “sondagem” divulgada no domingo pelo “Açoriano Oriental”, cujo destaque me pareceu pecar pelo sensacionalismo fácil. Esta “sondagem” foi promovida por uma Associação filantrópica, obviamente apolítica (?), a qual resolveu emergir da obscuridade para a ribalta, com recurso a uma importante demonstração: Os políticos não prestam! (onde é que eu já ouvi isto?) E não prestam porquê? Porque a citada Associação a todos pediu dinheiro para umas mochilas de escola, e só oito corresponderam.

Ora eu sou político (em boa verdade, enquanto gestores da nossa vida colectiva, todos somos) mas nunca fui abordado por essa Associação, para este ou qualquer outro fim. Com a useira (conveniente?) falta de rigor no tratamento dos “políticos”, fiquei sem saber quem mais foi abordado, mas o que sinto é que a dita Associação, com o tipo de encenação pública engendrada para a sua campanha das mochilas, me julgou e condenou ilegitimamente enquanto político, chamando-me “anoréxico de actos”…

Para além disso, teve ainda o cuidado profundamente solidário (e, sempre, apolítico) de, atendendo à crise, evitar incluir empresas no seu peditório. Certamente pensando nas dificuldades que passam aquelas que, embora recentemente refrescadas com milhões da solidariedade dos dinheiros públicos, mesmo assim não pagam aos trabalhadores (e cá estou eu, mesmo involuntariamente, a contribuir para elas com muito mais que o custo de uma mochila)… Já para não falar das principais vítimas da conjuntura - os bancos - que, misericordiosamente excluídos do peditório da Associação, assim se livraram de mais um valente rombo na sua liquidez!

Dado no entanto estar a resolução do problema das mochilas (por obrigação constitucional) felizmente entregue às instituições públicas de acção social, competindo ao cidadão fiscalizar a qualidade da sua intervenção, aconselharia esta Associação a canalizar o seu empenho filantrópico, em alternativa bem mais substantiva, para a intervenção contra os números da fome esta semana divulgados pela FAO…

2 milhões de pessoas, 16.000 das quais crianças, morrem de fome por dia. Por perda de rendimento e pelo desemprego, em especial nos centros urbanos e nos países menos desenvolvidos, um total de 1,020 bilião de pessoas passarão a sofrer de fome crónica em 2009, isto é, mais 100 milhões de pessoas que em 2008.

Confrontados com a profunda ameaça aos elementares direitos humanos de uma sexta parte dos habitantes do planeta, verificamos que nenhuma resposta visível e eficaz está a ser dada pelos auto-proclamados campeões mundiais da sua defesa.

Todos os dias, várias vezes ao dia, em todos os canais televisivos, somos assediados por números e comentários enfadonhos sobre o encerramento em queda do Índice PSI 20, as subidas e descidas da Sonae, da Teixeira Duarte ou a liderança da EDP, nas cotações da Bolsa de Lisboa. Ou por outros números, tão enfadonhos quanto os anteriores, dos casos de suspeita de gripe suína que afinal não se confirmaram!

Ora os canais televisivos não deveriam também privilegiar quotidianamente o drama da fome no Mundo e a sua evolução? “…Hoje uma acentuada subida no Sri Lanka, que passou para os 12 milhões de pessoas com fome crónica, acompanhada pelo Burkina Fasso, com mais 10.500, enquanto o Bangladesh se mantém estacionário nos 3,5% de crescimento, tal como o Paquistão e a Mauritânia. Já o Sudão e a Etiópia atingem um máximo de 4 milhões cada, tendo sido o sector que mais pesou na evolução do Índice MSN (Morte por Subnutrição), com 1.500.000 vítimas confirmadas, encerrando no vermelho com uma tendência ligeira de subida…”.

Não acha caro leitor, que esta seria uma forma de começar a pressionar seriamente, não a compra dos títulos dum qualquer grupo económico ou da vacina da gripe H1-N1, mas a travagem do drama que, com excepção de certos (não dos…) políticos que se auto-apropriaram da condução dos destinos do planeta, a todos nos envergonha e inquieta, logo que convenientemente informados?

Mário Abrantes

o lado escuro dos hospitais privados

Beneficiários da ADSE queixam-se de discriminação nos hospitais privados

Já se sabia que os hospitais privados eram um grande negócio. Facilidades e isenções de impostos, uma torrente garantida de utentes desviados do Serviço Nacional de Saúde, governantes enaltecendo excelências em pomposas inaugurações e, sobretudo, aquela garantia que é o sonho de todos os comerciantes: o utente estará sempre disposto a pagar tudo o que for necessário, quando for necessário para aceder ao serviço prestado.

Agora o que se descobre é a sua verdadeira face: não é um negócio de venda de saúde. É um negócio de discriminar utentes em função do que estão dispostos a (ou são capazes de) pagar naquele momento.

Fica, sobretudo clara a sua pouca apetência para o serviço público e a dimensão do erro de contratualizar estes serviços com os privados em vez de fazer os investimentos que faltam no Serviço Nacional de Saúde.

terça-feira, 23 de junho de 2009

acabar com o que resta


Portugal passou por um processo a muitos títulos exemplar, ao abdicar de uma actividade de baleação tradicional, sustentável e importante para as comunidades locais, ao mesmo tampo fazendo a transição para uma indústria turística que valoriza a existência de cetáceos como um recurso precioso. Um recurso que o Ministro do Ambiente não está nitidamente preocupado em defender.

A caça à baleia industrial, tal como é praticada por países como a Islândia, o Japão e a Noruega, é, em pleno século XXI completamente injustificável e reduziu a população de muitas espécies a valores-limite.

E fica a pergunta: Nunes Correia é Ministro do Ambiente ou Ministro-de-acabar-com-o-que-resta-dele?

domingo, 21 de junho de 2009

o direito e a esmola


Ao que parece, poucos políticos terão contribuído, o que a dita associação contesta, como se estes tivessem uma obrigação maior de contribuir, como se a escolha entre dar ou não dar uma esmola não devesse ser livre e estar no campo da consciência pessoal de cada um. Especialmente reveladora é a sua opção de não pedir patrocínios às empresas porque estas "têm vindo a ser fortemente penalizadas", esquecendo o que são os multi-milhões de euros de lucros das grandes empresas, mesmo as da região.

Mas ainda mais revelador é o facto de esta associação nunca se lembrou que as condições para as crianças carenciadas frequentarem a escola devem ser exigidas como um direito e nunca suplicadas como uma esmola.

Mas o que seria destas associações, se não houvesse uns pobrezinhos a quem se possa dar uma esmolazinha para aliviar más consciências?

a música perfeita para uma solarenga manhã de Alfama



Glória ao Paco!

marcha à ré

No meio dos temas mediáticos que rechearam a última sessão parlamentar, desde os passes-não-sociais, passando selecções desportivas da ilha do Corvo, aos aviões da SATA e onde devem dormir, um assunto passou muito discretamente, como se não tivesse importância. Mas tem, e muita!

O facto é que o Governo Regional, pela voz do Secretário Regional da Economia, anunciou que resolveu fazer marcha à ré na opção de aquisição próprios para garantir o transportes de passageiros inter-ilhas e que esse é um assunto que está outra vez "em análise".

Depois de na anterior legislatura ter entendido (correctamente) que só com a aquisição de navios seria possível garantir as condições operacionais necessárias, dá-se agora o volte-face e a questão volta estar em aberto.

Claro que ainda falta esclarecer muita coisa em relação ao Atlântida. A criação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar seria o passo óbvio e necessário. Só que, infelizmente, PSD e BE anunciam todas as semanas a anunciam, ganhando mais uns sound-bytes, mas nunca mais a criam efectivamente. Mas o que é certo é que, independentemente do que tenha acontecido, continuamos com um problema por resolver. E novos problemas se vão somar, com o envelhecimento dos navios que fazem as ligações das ilhas do Triângulo.

Estas questões do transporte marítimo, até pelo volume de investimentos que envolvem, obrigam a que se tenha uma estratégia clara que se implemente com determinação no médio prazo. Não se pode andar para a frente e para atrás ao sabor das conveniências imediatas, sob pena de perdermos tempo precioso, deixando os Açores ainda mais atrasados nesta matéria.

sábado, 20 de junho de 2009

bomba

Arriscando sarilhos familiares não posso deixar de assinala que a rainha das Sanjoaninas é uma das mulheres mais bonitas que já vi.

A beleza do sol das nossas ilhas na grande festa do Sol!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

parabéns Chico!



Se não fosse a dica do My Web Time não teria chegado a tempo.

Há homens que nunca envelhecem.

refugiados e esquecidos

Sofrimento humano é sofrimento humano. Não tem graus, nem níveis de importância, nem cores políticas.

Mas, no dia Mundial dos Refugiados, quero lembrar o povo Saharaui. Um povo esquecido, um país esquecido que aqui bem perto de nós sofre ainda a ocupação do seu país e vê negado o seu direito à autodeterminação.

As jovens gerações de sarahauis só conheceram a vida nos campos de refugiados em pleno deserto, dos mais pobres entre os mais pobres. A política de António Guterres à frente da UNHCR, defendendo que a ajuda a cada povo deve ser proporcional à sua capacidade para gerar simpatia e donativos internacionais, não contribui para resolver o problema.

Marrocos é um aliado importante da União Europeia e a Espanha tem muito interesse em ocultar as suas próprias responsabilidades no Sahara Ocidental. Soube pelo Firmeza no Rumo que ainda recentemente as autoridades marroquinas impediram a realização de uma reunião entre a OIT e sindicatos Saharauis.

O Sahara Ocidental é um problema incómodo e sem solução à vista. Um povo que o mundo esqueceu, mas que não perdeu a esperança de um dia poder vir a ser livre na sua terra.


lixo 2.0

Há por essa blogosfera exemplos de coerência. É normal que o blog pró-socialista Argoladas venha defender o voto obrigatório quando esse mesmo blogue nem admite comentários aos seus posts.

Ao negar assim a natureza da blogosfera, espaço aberto ao debate democrático, demonstra a mesma intolerância dos que não conseguem perceber que o voto é por natureza um acto voluntário. Cheira-me que o desejo do blogger anónimo era que o voto fosse obrigatório num partido apenas...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

a net é uma arma

Via Antreus encontrei este interessante artigo de Thierry Meyssan sobre as novas tácticas de agitação política que a CIA emprega actualmente no Irão.

Thierry Meysan, fundador da rede de média não-alinhados Réseau Voltaire, e autor de diversos livros, conta-nos como a utilização do envio maciço de SMS's e a falsificação de contas no Facebook e no Twitter fazem parte do arsenal dos serviços secretos contemporâneos.

Verdade? Especulação? Não tenho, de facto, dados para afirmações conclusivas, mas custa-me a crer que, tendo os meios à sua disposição, as maiores agências de informações do mundo não as fossem utilizar ao serviço dos seus objectivos...