quinta-feira, 2 de julho de 2009

festa brava (actualizado)

Sim, é o Ministro da Economia.

Sim, está no Parlamento.

Olé!

O gesto marialva de Manuel Pinho foi feito na direcção da bancada do PCP, em resposta a uma bandarilha de Bernardino Soares que lhe deve ter doído. Já sabíamos que a competência não é uma característica exigida aos ministros do actual governo. Agora ficamos a saber que um mínimo de boas maneiras também não.

O assunto já vai na imprensa internacional mas, por cá, já não choca nem surpreende. É só mais uma vergonha que o Governo de José Sócrates nos faz passar.

Enquanto escrevia este post fiquei a saber que afinal Manuel Pinho se demitiu. Ainda bem. Era o mínimo que podia fazer. Que garotice inacreditável!

promessas que queremos ouvir (e ver cumpridas!)

Através do blogue Firmeza no Rumo fiquei a conhecer o contributo que a CGTP-IN pretende dar para que nos programas eleitorais das próximas eleições legislativas, os partidos assumam compromissos concretos para mudar o rumo do país.

E não é assim tão complicado. 10 eixos para mudar Portugal:

1. Criar emprego estável e com direitos e evitar os despedimentos

2. Garantir o direito constitucional de contratação colectiva

3. Valorizar o trabalho e os direitos dos trabalhadores

4. Combater a precariedade

5. Alargar o acesso ao subsídio de desemprego para que mais desempregados possam ser
abrangidos pela prestação

6. Promover o aumento real dos salários e das pensões assim como do Salário Mínimo
Nacional de modo a alcançar 500 euros em 2011 e 600 euros em 2013

7. Reforçar a solidariedade, promover a coesão social e combater as desigualdades

8. Reforçar os serviços públicos e a protecção social

9. Reorientar as políticas económicas

10. Tornar o sistema fiscal mais equitativo


Daqui até Setembro, ouviremos múltiplos apelos e miríades de promessas. Todos falarão sobre os mais desfavorecidos, e sobre a sua enorme consciência social. Mas o que precisamos de ouvir é um firme compromisso com estes objectivos. Um compromisso para cumprir, objectivos para não serem esquecidos nas gavetas governamentais.

morreu um artista

Morreu um Artista, no outro lado do mundo, é verdade, mas “aqui mesmo ao lado” na aldeia global.

E isso foi motivo de parangonas nos jornais, abertura de telediários em todo o mundo, motivo de conversas entre todos os comuns mortais.

E é justo que assim tenha sido. A morte de um CRIADOR é uma perda para todos nós.

Mas… (sempre o chato do mas) ao mesmo tempo o Zé, Joseph, Joe, Yousseff, … de apelido XPTO, operário da construção civil também morreu porque caiu de um andaime, ou levou com qualquer coisa na cabeça. E o Zé-Joseph-Joe-Yousseff também era um ARTISTA.

Não vendia milhares nem recebia milhões; não era mediatizável e, muito menos, era assediado pelos “paparazzi”.

Apenas tinha fãs: a sua mulher, os seus filhos, alguma da família mais próxima e os seus amigos.

O ARTISTA DAS PARANGONAS criava (criou) com o corpo e a voz.

O ARTISTA não mediatizável criava (criou) com esse magnífico instrumento que é a mão humana. Edificou, talvez, palácios, vilas, arranha-céus e, quem sabe, a mais bonita (para ele) de todas as suas criações: o casebre miserável, a barraca onde morava com os seus “fãs” – e ele não precisava de seguranças para afastarem esses fãs – PRECISAVA DA SEGURANÇA PARA VIVER COM ELES!, no “guetto”, embora, mas dentro da obra que ele havia criado.

O Zé-Joseph-Joe-Yousseff, não precisa de uma segunda autópsia, não vai ter ninguém a degladiar-se pela custódia dos seus filhos (leia-se do seu dinheiro) e muito menos vai haver discussão para se saber se aquela última carta para a família distante, (do outro lado do mar, do outro lado da Terra, lá longe, na terra – é indiferente) é, em si mesma, um testamento ou um rascunho de testamento.

O seu velório não terá milhares, milhões, talvez, a chorarem a sua morte. Mas, o choro de alguns será um choro sentido, profundo, um choro da alma, um choro vestido de luto!

O seu funeral não terá direito a divulgação mundial mediática. Será uma cerimónia íntima. E, num magnífico paradoxo, será, egoisticamente, chorado por aqueles a QUEM FAZ FALTA e não por constituir uma pretensa PERDA PARA A HUMANIDADE.

No fundo, é a história do linguado e da sardinha: ambos postos no mesmo assador, ao mesmo tempo. No fim, um só resultado: UM LINGUADO GRELHADO e UMA SARDINHA ASSADA!!!
José B. R.

É mesmo com muito prazer que publico uma colaboração de alguém a quem devo muito mais do que a vida.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

ainda menos transportes

Como se previa, a Transmaçor foi obrigada a "encostar" o Expresso do Triângulo, tendo de cancelar, em plena época alta, as ligações com a Terceira e reduzindo as ligações entre São Jorge, Pico e Faial.

A licença de navegação caducou e a embarcação tem de sofrer obras no casco. Entretanto, também o outro navio rápido da empresa aguarda licença para navegar. Nada de surpresas. Tratam-se de datas previstas e conhecidas, que chegaram sem que nada fosse feito. É caso para perguntar: Que raio de gestão é esta???

Apesar dos avisos e alertas que recebeu, o Governo Regional também nada fez. Estas questões têm de ser planeadas e executadas com tempo. Não podem correr atrás de calendários de investimentos eleitorais.

Será assim tão difícil entender que os transportes marítimos são provavelmente o sector mais importante para o desenvolvimento dos Açores?

combater o desemprego rosa


Algum jovem socialista quer ser "Gestor de Projecto" nos Gabinetes do Empreendedor?

Temos vagas!

a passar por cima...

…da crise, anda o senhor Ministro das Finanças, quando ao mesmo tempo que a OCDE lhe carrega as tintas para Portugal, ele as vai apagando e anunciando para este mês os primeiros sinais do seu fim (César já apontava a mesma data há uns meses atrás, recorda-se caro Leitor? Valha-lhe a notável capacidade de antecipação…). Por via das dúvidas, não vá o diabo tecê-las entretanto, e porque cada ministro de há uns tempos a esta parte passou a dizer a sua, o das Obras Públicas, em simultâneo, logo aprontou os anúncios sucessivos do adiamento do TGV e do novo Aeroporto de Alcochete…(Já se sabia que “Alcochete, jamé!”, não é verdade?)

A passar por cima da crise andam igualmente, segundo estudos divulgados num jornal nacional, os portugueses! Pobres e felizes, é assim que hoje se sentem! Já Salazar os queria pobres, asseados e ignorantes. Trata-se, convenhamos, de uma evolução assinalável, desde então...

A passar por cima das nossas cabeças, e muito provavelmente por cima da competência dos governantes regionais, de acordo com notícias vindas dos EUA, andam já a voar os caças F 22 no seu “quintal” do Atlântico. É compungente ouvir o Secretário da Presidência do Governo Regional, cada vez que lhe fazem perguntas sobre o assunto. Não se cansa de dizer que nada foi negociado até à data e, perante as notícias anunciando a chegada dos caças já este Verão, diz que tem “quase” a certeza de que isso não acontecerá! “QUASE”? Afinal qual é o papel do seu Governo, senhor Secretário? Parece-me óbvio que a lealdade institucional da República e a soberania desta, se praticadas, dispensariam com certeza esse “quase”, o que nos deverá então deixar seriamente preocupados quanto à forma como o actual Governo da República encara estes princípios basilares do Estado.

A passar por cima da economia regional, depois de ter ido (e de continuar a ir) às algibeiras do orçamento público absorver milhões a fundo perdido (em hotéis, restaurantes, casinos, múltiplos programas e outras comparticipações), anda o turismo. Com o número de dormidas em baixa continuada desde 2005, incapaz de contribuir para a criação de emprego minimamente estável e digno, e a pesar uma insignificância de 2,8% na balança das receitas, confirmam-se as vozes que aconselharam desde o início à prudência aqueles que pretendiam transformá-lo em alternativa sustentável da economia regional. Ninguém de boa fé fica satisfeito com estes resultados, mas que as cabeçadas depredadoras do orçamento público foram muitas e desnecessárias em direcção a um sector, ansioso de (impossíveis) resultados instantâneos, pouco fidelisável apenas por factores internos significantes, com forte concorrência já antes instalada a nível externo, e em declínio mundial devido à crise dos combustíveis, não tenhamos dúvidas!

Além do investimento público directo e apesar das dificuldades, salva-se afinal, com dimensão significativa, aquele para quem o poder regional, e interesses mais ou menos bem intencionados, chegaram a tramar o fim, para dar lugar ao turismo: o sector do leite e lacticínios. Numa situação de fortes vantagens para a indústria, contrastando com o agravamento da exploração dos produtores, chegam entretanto potenciais sinais positivos que (momentaneamente?) poderão restabelecer algum equilíbrio a favor destes últimos. Mas, a semelhança com os casos de indemnizações pagas por despedimento é gritante e atira-nos a economia para o cinzento escuro se, paralelamente com os 20 milhões anunciados para o sector, não forem na UE dirigidos até ao fim, pelos responsáveis regionais e nacionais, os esforços de manutenção do actual regime das quotas leiteiras.

Ou será que também isso nos irá passar por cima?
Mário Abrantes

muita lucidez

O Modelo de Desenvolvimento dos Açores sempre foi assumido por pessoas que consideravam a agropecuária como um sinal de subdesenvolvimento. É essa mesma gente que julga que ficamos melhor servidos com concessões monopolísticas nos transportes aéreos e regulações fortes nos transportes marítimos, não querendo perceber o que isso impõe de restrições ao turismo e o que isso aumenta os custos de transporte. Para além disso não se importam de vender direitos de exploração do mar vagamente compensados com dinheiros para vias rápidas, não têm preocupação em alienar direitos de produção da terra (subjacentes às quotas leiteiras) em troca de passeios às Canárias com verbas do INTERREG, nem se preocupam em desbaratar os direitos de exploração do ar, que vão para a FLAD e para os aeroportos que concorrem com os nossos, desde que se garanta a pensão dos trabalhadores existentes na Base; até a mobilização e fortalecimento do capital humano existente na universidade é tantas vezes desprezado por desvios de fundos para feiras de importadores e festas de alienados. em suma, o potencial de desenvolvimento dos Açores tem sido hipotecado por governos tacanhos e por empresários dependentes; também pelo estado e pela europa, que têm medo do sucesso das ilhas quando esse sucesso acontece, como acontece na Madeira.

Embora não concorde com tudo o que diz, tenho de reconhecer que a entrevista do Tomaz Dentinho ao Diário Insular tem algumas palavras de grande lucidez. Vale a pena aprender com elas.



terça-feira, 30 de junho de 2009

Pina Bausch (27/07/1940 - 30/06/2009)



Estamos mais pobres.

tudo decidido

F-22 nas Lajes em 2010

Como era de esperar já tudo está decidido e como habitual, nas costas dos açorianos.

Não há cá tempo para estudos de impacto ambiental, medições poluição sonora, avaliação de riscos ou negociação de contrapartidas. Os treinos começam para o ano e já este verão virão aos Açores algumas aeronaves para fazer ensaios.

Se Portugal tinha alguma hipótese de fazer pressão negocial, agora é que já foi mesmo pelo cano abaixo. E toda a gente se cala...

4255 euros


Óptimo. Mas, dividindo-os em partes iguais (que sabemos que não são) pelas cerca de 4700 explorações agrícolas da Região, cada agricultor teria direito à fabulosa soma de 4255,32 Euros! É isto que vai dar finalmente competitividade às nossas produções?

Foi por estes trinta dinheiros que os nossos governantes venderam em Bruxelas a sobrevivência da nossa agricultura?

quem pode manda


Parece que o Presidente do Governo Regional se prepara para dar a machadada final na sua já fragilizada Secretária Regional da Educação e Formação. Carlos César está certamente muito preocupado com a fuga dos votos dos professores para o Bloco de Esquerda, facto que amargamente verificou nas passadas europeias. Daí que prefira desautorizar publicamente Lina Mendes a entrar numa guerra que apenas daria força aos seus adversários.

E a SREF? como fica no meio disto tudo? Como vai aceitar esta menorização da sua figura e - mesmo - do seu cargo? Com que credibilidade poderá agora ir às escolas ou enfrentar os professores? A verdade é que a sua enorme falta de talento governativo conseguiu em poucos meses arruinar todas as expectativas que sobre ela foram depositadas. Estaremos assim perante a 1ª remodelação governamental, a menos de um ano das últimas eleições regionais?

Fica sobretudo uma lição sobre como funciona o Governo Regional. Todo o poder reside no Presidente. Um poder absoluto e pessoal que só admite relações de subordinação e obediência ao chefe. Alguém fica surpreendido?

sábado, 27 de junho de 2009

do mundo: boas e más notícias

Da Irlanda do Norte chegam boas notícias. Os grupos protestantes lealistas aceitam finalmente depor suas armas.

O radicalismo protestante foi sempre um dos principais factores de instabilidade no país, beneficiando durante muito tempo do beneplácito das autoridades inglesas para manter viva uma guerra que Londres considerava útil para os seus próprios fins políticos.

Quatro anos depois de o IRA ter tomado unilateralmente a decisão de baixar as armas, os grupos protestantes, os que mais tem ameaçado o processo de paz e que maiores entraves lhe têm colocado, parecem finalmente perceber que no Ulster só haverá vitórias desarmadas. Ainda bem.


Dos Estados Unidos da América chega-nos a notícia que a administração Obama continua a contemplar a ideia de manter prisioneiros sem culpa formada ou julgamento com períodos de detenção "indefinida".

Pese embora a vozearia do novo Presidente sobre o império da Lei e sobre os EUA voltarem a ser um estado de direito, parece que há questões que são intocáveis. Nomeadamente a vontade dos EUA poderem continuar a raptar e incarcerar indefinidamente pessoas em qualquer ponto do mundo, em função das suas conveniências políticas. É pena.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

zero não. menos que zero.

Aproximamo-nos do tempo dos balanços da acção governativa, o lógico e necessário exercício de reflexão sobre as eleições legislativas.

E é bom que os partidos, os média, os comentadores profissionais e os amadores o façam com alguma seriedade, senão enfrentaremos certamente oo mesmo desinteresse e abandono que enfrentámos nas últimas eleições europeias.

Esta semana ficámos a saber que somos o 2º país mais pobre da Europa a 25, apenas ultrapassados (mas quase ex aequo) pela Eslovénia. Esta semana também tomámos consciência, através das previsões da insuspeita OCDE, da inutilidade que foram os muitos anos de aperto de cinto para o controlo do défice, que afinal este ano já andará para os 6,5%.

E são números paradigmáticos do falhanço da política deste Governo. A verdade é que o país está mais pobre, mais desigual, menos competitivo, menos produtivo.

Mas, em todas as áreas, a política de Sócrates só agravou e criou problemas, sem ter conseguido resolver um único. A educação está um caos, as universidades estão na falência, os professores, pais e alunos estão descontentes. Na saúde encerraram-se múltiplas unidades, as populações estão revoltadas, a taxa de mortalidade infantil voltou a aumentar (ainda que residualmente) e os índices de incidência de diversas doenças voltam a crescer. Do ponto de vista social, o Governo conseguiu por contra ele todos, mas absolutamente todos, os sectores profissionais do país. Dos polícias e militares, aos professores, médicos, enfermeiros e às vítimas do costume, os funcionários públicos. Mesmo das grandes obras públicas prometidas não conseguiu realizar uma única. E tantas, tantas coisas mais que poderia apontar...

Mais do que não ter feito nada, tudo o que este Governo fez, fez mal. Mais do que em fim de ciclo político, estamos perante o inegável desastre, o falhanço gigantesco que ninguém consegue já esconder. Apenas, tibiamente, culpar a crise internacional. Nem com benzina Sócrates consegue limpar a mancha que foi a sua acção governativa.

Tento, honestamente, encontrar uma coisa, uma só que fosse, na actuação deste Governo e não encontro... E o resto dos portugueses? Encontrará uma razão só que seja para apoiar Sócrates?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

influência

Ilda Figueiredo foi re-eleita Vice-Presidente do Grupo Parlamentar da Esquerda Unitária Europeia (GUE-NL)

E Luís Paulo Alves? E Maria do Céu Patrão Neves? Serão mais que meras sombras apagadas, desconhecidas mas obedientes às disciplinas das respectivas bancadas parlamentares? No fundo, o que é que pesam? O que é que influenciam?

subsídio de silêncio

Região recebe 20 milhões para compensar fim das quotas leiteiras

Confirma-se assim o fim do ciclo do leite nos Açores. Independentemente do nível de modernização das explorações, o pequeno (comparativamente) volume da produção e os custos do transporte fazem com que, sem um regime de protecção, nunca possamos vir a competir em pé de igualdade com as grandes potências europeias.

A magra compensação anunciada não resolverá nenhum problema. Até porque se trata de uma questão de mercado e não de uma questão de produção ou de qualidade. Esse dinheiro não vai servir para dar competitividade ao sector, mas apenas para comprar silêncios.

O Secretário Regional da Agricultura ficou todo contente com o resultado da reunião do Conselho dos Ministros da Agricultura e Pescas da União Europeia e nem se lembrou que Luís Paulo Alves, do seu partido, esteve há poucas semanas num debate na televisão a declarar que o PS ia combater com firmeza o fim das quotas leiteiras.

Mas o Secretário Regional tem razões para estar satisfeito. Afinal tem o seu problema resolvido com 20 milhões de euros para calar descontentamentos e protestos. Um bom subsídio de silêncio.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

a importância de umas e de outras coisas

De todos os políticos regionais, só oito são sérios! A conclusão retira-se da “sondagem” divulgada no domingo pelo “Açoriano Oriental”, cujo destaque me pareceu pecar pelo sensacionalismo fácil. Esta “sondagem” foi promovida por uma Associação filantrópica, obviamente apolítica (?), a qual resolveu emergir da obscuridade para a ribalta, com recurso a uma importante demonstração: Os políticos não prestam! (onde é que eu já ouvi isto?) E não prestam porquê? Porque a citada Associação a todos pediu dinheiro para umas mochilas de escola, e só oito corresponderam.

Ora eu sou político (em boa verdade, enquanto gestores da nossa vida colectiva, todos somos) mas nunca fui abordado por essa Associação, para este ou qualquer outro fim. Com a useira (conveniente?) falta de rigor no tratamento dos “políticos”, fiquei sem saber quem mais foi abordado, mas o que sinto é que a dita Associação, com o tipo de encenação pública engendrada para a sua campanha das mochilas, me julgou e condenou ilegitimamente enquanto político, chamando-me “anoréxico de actos”…

Para além disso, teve ainda o cuidado profundamente solidário (e, sempre, apolítico) de, atendendo à crise, evitar incluir empresas no seu peditório. Certamente pensando nas dificuldades que passam aquelas que, embora recentemente refrescadas com milhões da solidariedade dos dinheiros públicos, mesmo assim não pagam aos trabalhadores (e cá estou eu, mesmo involuntariamente, a contribuir para elas com muito mais que o custo de uma mochila)… Já para não falar das principais vítimas da conjuntura - os bancos - que, misericordiosamente excluídos do peditório da Associação, assim se livraram de mais um valente rombo na sua liquidez!

Dado no entanto estar a resolução do problema das mochilas (por obrigação constitucional) felizmente entregue às instituições públicas de acção social, competindo ao cidadão fiscalizar a qualidade da sua intervenção, aconselharia esta Associação a canalizar o seu empenho filantrópico, em alternativa bem mais substantiva, para a intervenção contra os números da fome esta semana divulgados pela FAO…

2 milhões de pessoas, 16.000 das quais crianças, morrem de fome por dia. Por perda de rendimento e pelo desemprego, em especial nos centros urbanos e nos países menos desenvolvidos, um total de 1,020 bilião de pessoas passarão a sofrer de fome crónica em 2009, isto é, mais 100 milhões de pessoas que em 2008.

Confrontados com a profunda ameaça aos elementares direitos humanos de uma sexta parte dos habitantes do planeta, verificamos que nenhuma resposta visível e eficaz está a ser dada pelos auto-proclamados campeões mundiais da sua defesa.

Todos os dias, várias vezes ao dia, em todos os canais televisivos, somos assediados por números e comentários enfadonhos sobre o encerramento em queda do Índice PSI 20, as subidas e descidas da Sonae, da Teixeira Duarte ou a liderança da EDP, nas cotações da Bolsa de Lisboa. Ou por outros números, tão enfadonhos quanto os anteriores, dos casos de suspeita de gripe suína que afinal não se confirmaram!

Ora os canais televisivos não deveriam também privilegiar quotidianamente o drama da fome no Mundo e a sua evolução? “…Hoje uma acentuada subida no Sri Lanka, que passou para os 12 milhões de pessoas com fome crónica, acompanhada pelo Burkina Fasso, com mais 10.500, enquanto o Bangladesh se mantém estacionário nos 3,5% de crescimento, tal como o Paquistão e a Mauritânia. Já o Sudão e a Etiópia atingem um máximo de 4 milhões cada, tendo sido o sector que mais pesou na evolução do Índice MSN (Morte por Subnutrição), com 1.500.000 vítimas confirmadas, encerrando no vermelho com uma tendência ligeira de subida…”.

Não acha caro leitor, que esta seria uma forma de começar a pressionar seriamente, não a compra dos títulos dum qualquer grupo económico ou da vacina da gripe H1-N1, mas a travagem do drama que, com excepção de certos (não dos…) políticos que se auto-apropriaram da condução dos destinos do planeta, a todos nos envergonha e inquieta, logo que convenientemente informados?

Mário Abrantes

o lado escuro dos hospitais privados

Beneficiários da ADSE queixam-se de discriminação nos hospitais privados

Já se sabia que os hospitais privados eram um grande negócio. Facilidades e isenções de impostos, uma torrente garantida de utentes desviados do Serviço Nacional de Saúde, governantes enaltecendo excelências em pomposas inaugurações e, sobretudo, aquela garantia que é o sonho de todos os comerciantes: o utente estará sempre disposto a pagar tudo o que for necessário, quando for necessário para aceder ao serviço prestado.

Agora o que se descobre é a sua verdadeira face: não é um negócio de venda de saúde. É um negócio de discriminar utentes em função do que estão dispostos a (ou são capazes de) pagar naquele momento.

Fica, sobretudo clara a sua pouca apetência para o serviço público e a dimensão do erro de contratualizar estes serviços com os privados em vez de fazer os investimentos que faltam no Serviço Nacional de Saúde.

terça-feira, 23 de junho de 2009

acabar com o que resta


Portugal passou por um processo a muitos títulos exemplar, ao abdicar de uma actividade de baleação tradicional, sustentável e importante para as comunidades locais, ao mesmo tampo fazendo a transição para uma indústria turística que valoriza a existência de cetáceos como um recurso precioso. Um recurso que o Ministro do Ambiente não está nitidamente preocupado em defender.

A caça à baleia industrial, tal como é praticada por países como a Islândia, o Japão e a Noruega, é, em pleno século XXI completamente injustificável e reduziu a população de muitas espécies a valores-limite.

E fica a pergunta: Nunes Correia é Ministro do Ambiente ou Ministro-de-acabar-com-o-que-resta-dele?

domingo, 21 de junho de 2009

o direito e a esmola


Ao que parece, poucos políticos terão contribuído, o que a dita associação contesta, como se estes tivessem uma obrigação maior de contribuir, como se a escolha entre dar ou não dar uma esmola não devesse ser livre e estar no campo da consciência pessoal de cada um. Especialmente reveladora é a sua opção de não pedir patrocínios às empresas porque estas "têm vindo a ser fortemente penalizadas", esquecendo o que são os multi-milhões de euros de lucros das grandes empresas, mesmo as da região.

Mas ainda mais revelador é o facto de esta associação nunca se lembrou que as condições para as crianças carenciadas frequentarem a escola devem ser exigidas como um direito e nunca suplicadas como uma esmola.

Mas o que seria destas associações, se não houvesse uns pobrezinhos a quem se possa dar uma esmolazinha para aliviar más consciências?