Num frenesim pré-eleitoral cada vez mais desesperado, o nosso Governo Regional continua a prometer tudo, mas mesmo tudo.
No momento de inaugurar na ilha das Flores o mais recente elefante branco regional (e que outra coisa chamar a um hotel de quatro estrelas numa ilha que já tem excesso de oferta e é das que mais sofre com a sazonalidade do turismo?), o Vice-Presidente do Governo veio anunciar um Plano Estratégico Para a Coesão, que há de avançar ainda antes do final do ano. Deste anúncio e deste calendário, várias ilações são decorrentes:
1. Até agora não existia qualquer planeamento estratégico, sendo os grandes investimentos feitos de maneira casuística e apenas ao sabor de interesses político-eleitorais locais imediatos. Nada que não tivéssemos notado já...
2. Os estudos para este plano foram feitos às escondidos, ou então serão feitos em prazo recorde ou, melhor ainda, não haverá quaisquer estudos subjacentes ao plano!
3. Para poder avançar ainda antes do fim do ano, será com certeza um instrumento que não será discutido com ninguém, mas apenas imposto com a habitual subtileza e aversão ao pluralismo da maioria absoluta socialista.
Uma visão estratégica para os problemas da coesão é, de facto, urgente e necessária. E deve ser precedida de um debate profundo que atravesse toda a sociedade açoriana, sem exclusões. Temos, na verdade, de ir mais longe do que a cultura da grande obra de betão, bem visível e lustrosa, para ser inaugurada nas visitas estatutárias do Governo. Falta reflectir, em cada ilha, em cada concelho, para onde é que se quer ir, e o que é que é efectivamente necessário em termos de modelos, programas e infra-estruturas.
O Governo do PS, no poder há mais de uma década, nunca teve nem esse projecto nem essa visão. Será que a vai arranjar agora em três meses? É que se a pressa é inimiga da perfeição, a promessa eleitoral ruidosa e oca é também inimiga da coesão.

















