sábado, 5 de setembro de 2009

frases que definem uma época



"Eu tenho um contrato de trabalho. Não posso fazer comentários"

a não perder nos próximos dias


Injustamente, esqueci-me de dizer que encontrei isto nos Jovens de Abril.

provas


Este era o spot promocional que TVI tinha preparado para o relançamento do Jornal Nacional das sextas-feiras (que roubei desavergonhadamente ao Fiat Lux). Depois disto ainda haverá quem acredite que se tratou de uma decisão "de gestão"?

Quanto à reportagem sobre o Freeport emitida ontem, ainda falta que Manuela Moura Guedes, e apenas ela, venha confirmar se se trata efectivamente da famosa reportagem anunciada, ou se foi servida aos espectadores uma versão "higienizada".

Perante isto tudo, quantas provas mais serão precisas para se perceber o que se passou, de facto?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

nunca pensei que um dia ia estar de acordo com este senhor

"O PS-Governo de Sócrates não consegue coexistir com a liberdade dos outros. Criou uma central de propaganda brutal que coage os jornalistas. Intervém nas empresas de comunicação social. Legisla contra a liberdade. Fez da ERC um braço armado contra a liberdade (a condenação oficial do JN6ª pela ERC em Maio serviu de respaldo ao que aconteceu agora). Manda calar os críticos. Segundo notícias publicadas, pressiona e chantageia empresários, procura o controle político da justiça e é envolvido em escutas telefónicas. Cria blogues de assessores com acesso a arquivos suspeitos que existem apenas para destruir os críticos e os adversários políticos. Pressiona órgãos de informação. Coloca directa ou indirectamente “opiniões” e “notícias” nos órgãos de informação. Etc


salvar o Afeganistão


Acabando com os afegãos será mais fácil instituir uma "democracia" à ocidental. Obama está entusiasmado com esta guerra. Portugal aplaude e participa.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Açores - EUA: a moeda do ódio


Os americanos sempre condicionaram o seu apoio a um eventual processo de independência dos Açores, não às preocupações com a vida e o destino do povo açoriano, mas sim a uma evolução política em Portugal que fosse favorável aos seus interesses. Uma lição importante a não esquecer.

Apesar de algumas passagens que permaneceram censuradas, as transcrições são uma leitura extremamente interessante. Permitem perceber o que é que foi o radicalismo anti-comunista e a forma como não hesitava a recorrer a absolutamente qualquer meio para destruir o PCP. Desde condicionar fundos e pacotes de apoio hmanitário a Portugal, à utilização de dirigentes sindicais anti-comunistas, ao envolvimento da hierarquia católica, a conversações secretas com todos os outros partidos políticos, garantido-lhes apoio e financiamento. Entre estes últimos, destaca-se o PS, referido várias vezes durante a conversa como um aliado seguro e, mesmo mencionado como os "Socialistas Anti-Comunistas" pelo Boston Sunday Herald (ver a página 16 do PDF).

Para quem se interessa e ainda se apaixona por estas questões da nossa história recente, há aqui lições valiosas a ser aprendidas. E creio que uma delas é que também os Açores foram usados como peão numa guerra suja, na qual os ideiais que eram professados pelas bases nunca foram levados a sério pelas cúpulas e em que os legítimos desejos dos açorianos foram simples moeda de troca do mais primário, básico e rasteiro ódio anti-comunista.

o longo braço da censura rosa


Ao que parece, a decisão terá mesmo partido do grupo espanhol Prisa, que assumiu uma posição relevante na Média Capital, detentora da TVI, e que já tinha ditado o afastamento de José Eduardo Moniz. Este, aliás, afirma o que já todos notámos: "Há um cerco à liberdade de informação!"

Resta falar sobre as conhecidas e assumidas ligações do Grupo Prisa a José Rodriguez Zapatero e ao PS espanhol, nomeadamente no papel decisivo que o jornal El Pais teve nas suas últimas vitórias eleitorais. Percebe-se assim melhor a importância das amizades ibéricas para José Sócrates. E fica-me a pergunta: Haverá alguma coisa que o PS não faça para se agarrar ao poder?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

ainda bem que PS e PSD elegeram Durão Barroso


E sabem quem é que também elegeu esta senhora? Acertaram: Luís Paulo Alves e Maria do Céu Patrão Neves.

a 2ª linha da resistência

A montanha pariu um rato. Estamos a falar, caro leitor, da montanha de publicidade prévia que precedeu a apresentação pública (a semana passada) do programa eleitoral do PSD às próximas eleições para a Assembleia da República.

- Num país em recessão, com um nível de desemprego já alarmante para o seu futuro próximo e que, apesar disso, continua a subir sem qualquer travão político;

- Num país onde se tem executado uma política modelar de degradação da actividade produtiva, em particular das pequenas e médias empresas, tanto no sector primário como secundário, abrindo as fronteiras à importação de praticamente tudo;

- Num país onde os direitos e condições sociais perdem dignidade em marcha acelerada e inversamente proporcional à “dignidade” das desigualdades e à impunidade da corrupção;

- Num país onde a Democracia Económica e Social definha de dia para dia e se distancia dos seus mais directos e legítimos beneficiários: os trabalhadores no activo e aqueles que se reformam;

As propostas políticas “alternativas” apresentadas pelo PSD mais se assemelham a uma mudança de rótulo, acompanhada de um desagradável toque “old fashion”, na essência política que tem vindo a ser sistematicamente aspergida sobre a sociedade portuguesa.

Trata-se afinal de suspender o TGV e o alargamento da rede de auto-estradas; reintroduzir o chumbo escolar por faltas; inviabilizar a liberalização do casamento homossexual; do alargamento das uniões de facto, e pagar os magistrados à tarefa. São estas as “grandes” diferenças palpáveis…Nada que, perante uma eventual maioria relativa do PS ou do PSD, obstaculize a tentação de qualquer dos dois para a formação posterior de um governo de bloco central, como já certas vozes autorizadas (e angustiadas com a perspectiva de outras eventuais alianças) se apressam a augurar.

Insistir na desintervenção estatal em áreas estratégicas como a economia, saúde, a água ou o apoio social, na sequência das privatizações do actual governo; falar em revisão da avaliação dos professores, depois da actual ministra se propor fazê-lo para o ano; insistir no não aumento dos impostos (e depois dizer que afinal foi necessário subir o IVA…); apresentar a construção do novo aeroporto, em vez de cadenciada por fases, cadenciada por módulos!!; insistir no combate (estéril) ao desemprego, tal como constantemente ouvimos da boca do Primeiro-ministro, isto nada tem a haver com diferenças. “Isto” são semelhanças profundas de política…a que se juntam, e não é de somenos, as semelhanças em relação à política europeia.

O PSD, expectativas criadas à parte, afinal não veio manifestar qualquer espécie de interesse em mudar as políticas estratégicas dum país que anseia a mudança. Perante a emergência desta, diria mais, parece antes querer defender-se dela…

A ansiada mudança, só possível sem maiorias absolutas, ainda terá de enfrentar portanto a eventual resistência, em segunda linha, do recurso ao bloco central. Para os usufrutuários da actual política instalada em Portugal (cada vez menos, mas cada vez mais poderosos), um governo PS/PSD torna-se obviamente a saída mais segura. Não será no entanto inevitável, nem a única saída possível para ausência de maiorias absolutas de qualquer dos dois partidos. E, como fica claro, o bloco central, será tanto mais facilmente removível quanto maior “massa” política apresentarem as opções não abstencionistas do eleitorado à esquerda...
Mário Abrantes

terça-feira, 1 de setembro de 2009

oportunidade ou falta dela?


Sem dúvida, uma boa ocasião para dizer alguma coisa simpática aos imigrantes, para quem o PS criou uma lei de estrangeiros que os considera mercadoria descartável e precária e que até criou um sistema de quotas para os ir afastando do território nacional.

Mas seria caso para perguntar: Então o que é que andou Ricardo Rodrigues a a fazer nestes últimos 4 anos na AR? Só agora se lembrou do assunto?

Fica, apesar de tudo, o registo de que então o PS vai com certeza aprovar a proposta que o PCP Açores apresentou em Maio passado, para garantir que os imigrantes também têm direito ao desconto nas passagens aéreas. Senão, com que cara ficaria o seu cabeça de lista?

j'accuse


André Bradford continua a ser mesmo o melhor amigo da oposição...

a vida são dois dias




Palco 25 de Abril
Sexta-feira21h30: Grande Gala de Ópera Sábado15h00: Krissy Mathews Blues Band16h00: Gazua 17h00: Blind Zero 18h00: Tabanka Djaz 19h00: The Men They Couldn’t Hang 20h00: Ciganos d’Ouro 21h30: Vitorino e os Cantadores do Redondo 22h30: Willie Nile 23h30: Clã Domingo14h30: Skalibans 15h30: Bandarra 16h30: Peste & Sida 18h00: Comício19h30: Ska P 21h00: David Fonseca

Auditório 1º de Maio
Sexta-feira 21h00: Maria Alice 22h00: Roda de Choro de Lisboa 23h00: Vanessa Alves 24h00: Francisco Naia Sábado14h00: Post Card Brass Band15h00: Telectu e convidados 16h00: Voces del Sur 17h00: Carla Pires 18h00: Nelson Cascais 19h00: Seth Lakeman 20h00: Frei Fado Del Rei 21h00: Hazmat Modine 22h00: Laurent Filipe 23h00: Guy Davis 24h00: Maria João e Mário Laginha
Domingo14h00: Luísa Amaro 15h00: Samuel 16h00: The Soaked Lamb 17h00: João Lencastre Communion 19h30: Aldina Duarte 20h30: Tereza Salgueiro

Palco Arraial
Sexta-feira21h00: Rogério Charraz22h30: AganjúSábado15h00: Grupo Canto Coral Alentejano do Alvito15h30: Rancho Folclórico de S. José da Lamarosa16h00: Rancho e Grupo de Bombos da Casa do Povo de Paul16h45: Rancho Regional de S. Miguel17h30: Grupo Folclórico Ceifeiras de Gondar18h15: Rancho Folclórico de Vila Franca da Beira19h00: Rancho Folclórico de St.ª Valha19.45: Alentejo20h30: Grupo Coral Alentejano da Casa do Povo de Cercal do Alentejo21h00: Grupo de Cantares de Ervedal - Avis21h30: Rancho Folclórico C.D.C. S. Paio de Oleiros22h15: Grupo Folclórico de Santiago Cruz23h00: Banda de Gaitas de Santiago de Cardielos23h45: Rancho Regional do Cabo (de Assequis)00h30: Rancho Folclórico Alegria da Nossa TerraDomingo14h15: Rancho Folclórico «Os Camponeses de Arraiolos»15h00: Rancho Folclórico «A chama»15h30: Grupo Folclórico de Esgueira16h15: Rancho Folclórico de Passos de Silgueiros17h00: Rancho Folclórico e Etnográfico «Os Oleiros»21h00: Arranca Telhados

Avanteatro
Sexta-feira20h30: Trio «Animatto» (bar)21h00: O Professor de Darwin, A Barraca23h00: Humanum Fatum, PIA – Projectos de Intervenção Artística (exterior)24h00: Nasrudin, O Gato que ladra e Companhia La Fundición01h00: Da Cor da Madeira, Quine (bar)Sábado11h00: Os macacos a correr... e os meninos a aprender!, Intervalo Grupo de Teatro (infantil)15h00: Conto-te Abril, MACAPI (infantil/exterior)20h00: Trio «Animatto» (bar)20h30: Comédia Mosqueta, Companhia de Teatro de Almada 22h00: Sobre Rodas, CIM – Companhia Integrada Multidisciplinar (exterior)23h00: Humanum Fatum, PIA – Projectos de Intervenção Artística (exterior)24h00: Poemas da minha vida, Io Apolloni01h00: Jazz, António Palma e convidadosDomingo11h00: História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a Voar, Teatro Art’imagem14h30: Elogio ao ½, Pedro Sena Nunes (Cinema Documental)15h45: Grupo Síntese, Música contemporânea16h30: Conto-te Abril, MACAPI (infantil/exterior)20h30: Canções de Brecht, Companhia de Teatro de Almada 21h30: O Menino é Lindo, música e animação

Palco da Solidariedade
Sexta-feira 19h00: João Queirós (música portuguesa)20h00: MGBoos (hip-hop)21h00: Duo Blues (blues)22h00: Sendai (fusão)23h00: Ruca Fernandes (fado)Sábado14h00: João e a Sombra (música portuguesa)15h00: Debate: Chipre – uma ilha, um povo, um país 16h30: Andreia Macedo – Stand up Poetry17h30: Debate: América Latina – Luta, progresso e cooperação 20h00: Os Minhotos (Grupo de Gaitas da Galiza)21h00: Luna Triana (Sevilhanas)22h00: Guents Dy Rincon (música de afro-latina de intervenção)23h00: GRupetto Trio (Bossa Nova)00h00: Alfredo Becker (Chile)Domingo 14h15: Debate: A crise do capitalismo, repressão e militarismo16h30: Almariados (rock dos anos 80)20.15: Voces del Sur (música latino-americana)21h15: Andrés Stagnaro (Uruguai)

Palco Novos Valores
Sexta-feira20h00: nUdE 00h00: Deathly MindSábado 19h00: Apply Zii20h00: Strap 5821h00: Green Eco22h00: Ho Chi Min23h00: Vespa00h00: Lirio Cão Domingo 15h30: The Rambles19h30: Estroina20h30: Seven Thousand21h30: An x Tasy

Café Concerto de Lisboa
Sexta-feira19h00: La Chanson Noire20h00: Martim Vicente21h00: Madshoff 22h15: Trip Inn23h15: Booster24h30: Motel AlbarquelSábado15h30: Debate Liberdade e Direitos Culturais, com André Levy, Cláudia Dias, Domingos Lobo, Nuno Góis e Pedro Penilo18h00: Lançamento do Caderno Vermelho n.º 1720h00: Quarteto Edgar Nogueira21h00: Homenagem a Ary dos Santos – Serei tudo o que quiserem/Poeta castrado não22h30: Grupo de Guitarra e Canto de Coimbra do C.C.R. Santarém23h30: Nuno do Ó24h15: Voces del Sur01h00: Gimba & MataDomingo 15h30: Debate Soeiro Pereira Gomes. O artista e o Partido. O tempo e os lugares, com Filipe Diniz, Manuel Augusto Araújo e Manuel Gusmão20h00: Los Cubos21h00: Paulo Saraiva22h00: Mistura Pura

Palco Setúbal
Sexta-feira21h00: Vozes da planície, música tradicional portuguesa 22h15: Palhaço Mágico23h30: A TASCA, tunaSábado10h30: Debate CDU nas autarquias locais e na Assembleia da República17h00: Banda In the Flesh 18h00: Banda Sex Ianuae19h00: Ecos, música tradicional portuguesa20h00: Raízes de Cabo Verde21h15: Manuel Rocha, com base nas recolhas de Michel Giacometti21h45: Banda Bluzz22h45: Marco Alonso, Flamenco/Jazz 00h00: Filipe Nasciso, música portuguesaDomingo10h30: Debate Combate à precariedade no distrito de Setúbal16h00: Café e amor: uma grande palhçada, teatro17h00: Palhaço Mágico20h00: Tony da Costa e Amigos21h15: Banda Sunya

Espaço Alentejo
Sexta-feira21h30: Homenagem a Michael Giacometti com intervenção de João Honrado22h00: Grupo de Cantares de Brotas23h00: Oppuente24h00: Grupo de Música Popular dos reformados de Vendas NovasSábado 11h00: Apresentação do livro A Reforma Agrária é Necessária, de António Gervásio15h00: Grupo Coral Alentejano da Casa do Povo de Cercal do Alentejo16h00: Debate: O Alentejo precisa de outra política18h00: Grupo Coral Trabalhadores de Ferreira do Alentejo19h00: Grupo Coral do Alvito21h00: Grupo de Cantares de Viana do Alentejo22h00: Amantes do Alentejo de Alvalade Sado23h00: Grupo de Cantares de Ervedal24h00: Grupo de Intervenção Musical Alencante de Vale de VargoDomingo 11h00: Debate: CDU – O Alentejo e as batalhas eleitorais14h30: Grupo Coral as Ceifeiras de Entradas15h00: Grupo de cante tradicional Alentejano os Almocreves15h30: Grupo Coral e Instrumental Banza20h30: Grupo de Cantares de Évora21h30: Brigada 14 de Janeiro

Palco Santarém
Sexta-feira 21h00: Brent23h00: PressplaySábado14h00: Pedro Salvador16h30: Grupo «Zé Pedro do Xutos» 21h30: Rock´n Road 23h00: FadoDomingo14h00: Tarde dos tocadores de ouvido 16h30: Maranos21h30: Ovo de Colombo

Outros palcos e animação
Fora dos palcos também se faz a Festa. Durante os três dias e um pouco por todo o recinto, vários grupos animam as hostes. Este ano há presenças tão variadas como o Grupo de Bombos de Sebastião Darque e o da Casa dos Rapazes de Viana do Castelo, o Grupo de Gaiteiros Tíbia ou o Grupo de Pauliteiros da Cidade de Miranda do Douro. Os Tocá Rufar, que uma vez mais trazem à Atalaia a alegria da juventude e os sons – reinventados – da música popular portuguesa, estarão também presentes, assim como os Fara Fanfarra, com a sua sonoridade entusiasmante, e os Araquejar. Também os DJ’s marcarão forte presença.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

coesão eleitoral


Num frenesim pré-eleitoral cada vez mais desesperado, o nosso Governo Regional continua a prometer tudo, mas mesmo tudo.

No momento de inaugurar na ilha das Flores o mais recente elefante branco regional (e que outra coisa chamar a um hotel de quatro estrelas numa ilha que já tem excesso de oferta e é das que mais sofre com a sazonalidade do turismo?), o Vice-Presidente do Governo veio anunciar um Plano Estratégico Para a Coesão, que há de avançar ainda antes do final do ano. Deste anúncio e deste calendário, várias ilações são decorrentes:

1. Até agora não existia qualquer planeamento estratégico, sendo os grandes investimentos feitos de maneira casuística e apenas ao sabor de interesses político-eleitorais locais imediatos. Nada que não tivéssemos notado já...

2. Os estudos para este plano foram feitos às escondidos, ou então serão feitos em prazo recorde ou, melhor ainda, não haverá quaisquer estudos subjacentes ao plano!

3. Para poder avançar ainda antes do fim do ano, será com certeza um instrumento que não será discutido com ninguém, mas apenas imposto com a habitual subtileza e aversão ao pluralismo da maioria absoluta socialista.

Uma visão estratégica para os problemas da coesão é, de facto, urgente e necessária. E deve ser precedida de um debate profundo que atravesse toda a sociedade açoriana, sem exclusões. Temos, na verdade, de ir mais longe do que a cultura da grande obra de betão, bem visível e lustrosa, para ser inaugurada nas visitas estatutárias do Governo. Falta reflectir, em cada ilha, em cada concelho, para onde é que se quer ir, e o que é que é efectivamente necessário em termos de modelos, programas e infra-estruturas.

O Governo do PS, no poder há mais de uma década, nunca teve nem esse projecto nem essa visão. Será que a vai arranjar agora em três meses? É que se a pressa é inimiga da perfeição, a promessa eleitoral ruidosa e oca é também inimiga da coesão.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

para os intelectuais urbanos que gostam de brincar às bandeiras monárquicas

Vai para cem anos, em 5 de Outubro de 1910, uma revolução em Portugal derrubou a velha e caduca monarquia para proclamar uma república que, entre acertos e erros, entre promessas e malogros, passando pelos sofrimentos e humilhações de quase cinquenta anos de ditadura fascista, sobreviveu até aos nossos dias. Durante os enfrentamentos, os mortos, militares e civis, foram 76, e os feridos 364. Nessa revolução de um pequeno país situado no extremo ocidental da Europa, sobre a qual já a poeira de um século assentou, sucedeu algo que a minha memória, memória de leituras antigas, guardou e que não resisto a evocar. Ferido de morte, um revolucionário civil agonizava na rua, junto a um prédio do Rossio, a praça principal de Lisboa. Estava só, sabia que não tinha qualquer possibilidade de salvação, nenhuma ambulância se atreveria a ir recolhê-lo, pois o tiroteio cruzado impedia a chegada de socorros. Então esse homem humilde, cujo nome, que eu saiba, a história não registou, com uns dedos que tremiam, quase desfalecido, traçou na parede, conforme pôde, com o seu próprio sangue, com o sangue que lhe corria dos ferimentos, estas palavras: “Viva a república”. Escreveu república e morreu, e foi o mesmo que tivesse escrito: esperança, futuro, paz. Não tinha outro testamento, não deixava riquezas no mundo, apenas uma palavra que para ele, naquele momento, significaria talvez dignidade, isso que não se vende nem se deixa comprar, e que é no ser humano o grau supremo.
José Saramago

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

o problema

Sempre me ensinaram que, para resolver um problema, é meio caminho andado ser capaz de enunciá-lo primeiro.

E o problema da política norte-americana, perante os seus e perante o Mundo, tem sido o facto de nunca se ter apresentado como tal, isto é, como um problema, e antes como um modelo a copiar e a expandir além fronteiras…

Algo me parece estar, no entanto, a mudar a ocidente. Embora com poucos (e pouco temerários) afloramentos por parte dos nossos órgãos de informação, quem esteve mais atento apercebeu-se, por aquilo que neles ouviu e viu esta semana, que os EUA vivem momentos difíceis e de indignas revelações. Confirmam-nos internamente, por um lado, que o perigo do terrorismo no mundo foi empolado por George Bush…para se promover eleitoralmente! Entretanto, muitos estado-unidenses, tal como o seu procurador-geral, manifestam-se perturbados com as recentes confirmações da tortura e da crueldade praticados, não ocasionalmente por este ou aquele militar ou agente mais estressado, mas sistemática e deliberadamente pela CIA, a pretexto do combate ao terrorismo, junto dos detidos nas prisões internacionais controladas pelos EUA. E se se fala de comportamento sistemático e deliberadamente cruel da CIA, fala-se, bem entendido, de orientações oficiais ou oficiosas da administração norte-americana. É precisamente este reconhecimento que está a perturbar o norte-americano comum, bem como importantes instituições jurídicas do país. Obama que inicialmente não sancionou a destruição deliberada dos vídeos da tortura e manifestou vontade de manter estas revelações em segredo, viu-se forçado pelo próprio movimento que o suportou (e ainda suporta) a deixá-las assomar à luz do dia! Para a pátria que se julgava dos direitos humanos é o início da enunciação do problema. E é bom este sinal para os EUA, pois não são uns quaisquer anti-americanistas a acusar, é o próprio país a verificá-lo.

Igualmente bom é, sem dúvida, para um Mundo militarmente vigiado por 800 bases norte-americanas e mais umas tantas da NATO, quais dispendiosos super cruzados da democracia, verificar que algo de errado se passa no país dos seus creditados guardiães.

Uma Nação que se apresenta, em simultâneo com as consequências negativas da política de expansão militar, em pré-colapso financeiro derivado da política neo-liberal, é uma Nação que não orgulha certamente quem nela vive e nas suas virtudes acreditava. Mas depara-se-lhe entretanto outra verdade que a (agora desacreditada) bondade da posição militar dominante antes ofuscava: Em simultâneo com o colapso da banca e o domínio absoluto de dois ou três grandes grupos económicos, conforme nos relata Diniz Borges num interessante artigo do Correio dos Açores, a disparidade económica interna acentua-se e revela-se a níveis nunca antes atingidos, com os 400 norte-americanos mais ricos a possuírem mais rendimentos que um conjunto de 150 milhões de outros compatriotas seus (263 milhões de dólares) e a pagarem cada vez menos impostos, enquanto 90% da população vê baixar os seus rendimentos, sem aumentos salariais significativos desde 1979, endividando-se contínua e irremediavelmente até ao pescoço.

O sonho americano espalhado pelo Mundo parece estar a acordar para uma inesperada verdade que entretanto, bem longe do Iraque ou do Afeganistão, se foi enroscando ali mesmo aos pés da cama. Afinal há um problema! Esse problema é interno e é aí que deverá ser resolvido. Da lógica das coisas e das potencialidades positivas que sempre existiram entre o seu povo, brotarão sem dúvida, cedo ou tarde, soluções mais justas e duradouras para a vida dos cidadãos norte-americanos e da sua grande Nação.
Mário Abrantes

terça-feira, 25 de agosto de 2009

os afectos do Açoriano Oriental

O estranho editorial de Pedro Lagarto no AO de hoje refere-se às infelizes declarações do Presidente do Governo Regional, em que este afirma que há uma "hipersensibilidade" em relação ao transporte marítimo causada por órgãos de comunicação social "afectos" à oposição.

Bem... confesso que ainda me falta perceber quais são os órgãos de comunicação social que, nos Açores, são afectos à oposição.

Não serão certamente o Jornal Diário ou o Azores Digital que se limitam a publicar ipsis verbis os comunicados do GACS.

E, ao contrário da bravata libertária com que Pedro Lagarto termina o seu editorial, o AO também não será com certeza afecto à oposição. Afinal que pensar dum jornal que distribui propaganda ilegal do partido do Governo ou que afasta Aníbal Pires e José Decq Mota das suas colunas, por serem vozes incómodas? É fácil perceber de que lado estão os afectos do Açoriano Oriental.

Enquanto os órgãos de comunicação social regional dependerem da distribuição arbitrária da publicidade institucional ou de um obscuro sistema de apoios governamentais, enquanto as direcções editoriais e os próprios jornalistas continuarem a ser cúmplices deste sistema de reprodução acrítica da propaganda governamental e de silenciamento das opiniões divergentes, a verdade é que não teremos média isentos e rigorosos, fundamentais para o nosso desenvolvimento enquanto Região.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

solidariedade com as Honduras

João Ferreira, deputado do PCP ao Parlamento Europeu encontrou-se ontem, dia 23 de Agosto, com o Presidente da República das Honduras, Manuel Zelaya, nas instalações da Embaixada das Honduras em Manágua (Nicarágua). No encontro com o Presidente das Honduras, João Ferreira reiterou a solidariedade dos comunistas portugueses para com o povo hondurenho e o seu legítimo governo na luta pela restituição da legalidade constitucional e pelo fim do golpe de estado neste país.

João Ferreira expressou ainda e em nome do Grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica do Parlamento Europeu a solidariedade do grupo parlamentar. Manuel Zelaya agradeceu ao deputado comunista e por sua via ao GUE/NGL as iniciativas que os deputados comunistas e progressistas no Parlamento Europeu têm desenvolvido exigindo a restituição da legalidade constitucional nas Honduras.

salvar Atenas



As altas temperaturas e ventos fortes fazem a Grécia reviver o pesadelo que já tinha conhecido em 2007. Só que desta vez a dimensão da catástrofe parece ser ainda maior, ameaçando a única cidade que já era europeia antes de haver Europa, o berço da nossa cultura, a eterna Atenas.

França, Itália e Chipre já enviaram meios aéreos. Mas não chegam. É preciso muito mais para salvar a cidade que, sendo grega, é de todos nós. Onde anda a Europa quando precisamos dela?

sábado, 22 de agosto de 2009

domingo, 16 de agosto de 2009

a dinâmica do centralismo

Rolando Lalanda Gonçalves escreve hoje no Açoriano Oriental (sem link directo) sobre a "dinâmica autonómica".


Parte, no entanto de um pressuposto errado, ao caracterizar "tout court" a cultura política portuguesa como centralista. É, desde logo, uma perigosa generalização, que passa ao lado do que sãos as tensões e os conflitos dinâmicos na política nacional.

E, desde o nascimento de Portugal, desde o século XII, que assitimos ao conflito permanente e sempre renovado entre tendências centralistas e tendências descentralizadoras.

No século passado essa tensão foi vivida de forma muito clara durante os tempos do regime fascista centralizador, a quem os Açores devem boa parte dos seus atrasos estruturais e subdesenvolvimento. Só a ruptura fulminante do 25 de Abril permitiu contrariar essa tendência e construir novas e modernas formas descentralizadoras, entre as quais o conceito da Autonomia, como hoje o entendemos.

Mas este não foi (nem é) um processo unânime, de forma alguma. Constituiu - como todos os conflitos políticos - um processo de luta social, em que camadas sociais com interesses divergentes se degladiaram para impôr um modelo político. Por um lado, as que sempre dependeram da protecção paternalista do estado central e autoritário. Por outro, os que viam e vêm nos processos descentralizadores e democratizantes a única via para a modernização e progresso do país. E, no essencial, foram sempre as forças de esquerda que mais pugnaram pela consagração de soluções de descentralização, como a Autonomia ou a Regionalização. Foi a correlação de forças, em termos políticos, que emergiu do 25 de Abril de 1974 que permitiu a criação do caminho autonómico que hoje trilhamos.

Este conflito continua e as idiotices proferidas por Medina Carreira são apenas um sintoma dessa contenda. A natureza desta luta política também não mudou. A sua raiz continua a ser social. Estamos ainda não perante um choque entre concepções abstractas, mas sim entre grupos e camadas sociais com interesses antagónicos. E é nessa medida que o problema deve ser observado, nomeadamente pela complexa resposta a estas perguntas simples: a quem interessa o centralismo? A quem interessa a democratização e a Autonomia?