quinta-feira, 17 de setembro de 2009

sic transit bloco de esquerda

De acordo com o Farpas, Agostinho da Silva, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Pombal, numa entrevista a um jornal local afirmou que os seus políticos de referência são Sá Carneiro e Paulo Portas. Terá confundido os irmãos Portas (um erro que até se percebe)?

Para lá do humor da situação e do candidato é, mais uma vez, a marca do grande erro do Bloco que, como já escrevi, insiste em separar a forma do conteúdo, associando a um discurso ferozmente esquerdista, carregado de radicalismo, uma prática política de caciqueira máquina eleitoral, rendida aos encantos de todas as figuras mediáticas que consiga arrebanhar. Lembram-se de Sá Fernandes e das suas referências políticas? Ou da "conquista" da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos?

A coerência não se constrói apenas de palavras. É também feita de escolhas e opções, mesmo que difíceis. Mas são essas escolhas que definem o que é e onde se situa um movimento político, não é o seu score eleitoral.

jornal de campanha - IV

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

lágrimas de crocodilo (actualizado)



PS, PSD e CDS-PP votam a favor da reeleição do homem a quem os Açores devem maravilhas como a perda da gestão dos nossos mares ou o fim das quotas leiteiras.

Apesar das suas lágrimas de crocodilo, Luís Paulo Alves e Maria do Céu Patrão Neves não faltaram com o seu voto para eleger Durão Barroso.

Ao contrário, Ilda Figueiredo e João Ferreira, convictamente, votaram contra. Afinal quem é que defende os interesses dos Açores?

Actualização: Ao ver a brilhante foto da capa do Público de hoje, tive de a inserir neste post. Porque há imagens que informam e, como neste caso, por vezes de maneira especialmente profunda. Os parabéns ao Público, que continua a ser a referência do fotojornalismo em Portugal e ao fotógrafo que não consegui identificar. Que bom que seria que os nossos jornais regionais dessem mais atenção às fotografias que ilustram as suas edições...

jornal de campanha - III

terça-feira, 15 de setembro de 2009

uma fraude alegre


Há aqui uma lição a ser aprendida por alguma esquerda, nomeadamente por sectores do BE, que depositaram em Alegre as suas esperanças sebastianistas do tal líder que havia de unir a esquerda e conduzi-la à vitória.

Penso que a razão do seu erro reside na velha confusão entre forma e contéúdo. Não basta ter um tonitroante discurso esquerdista. É preciso apoiá-lo em medidas, atitudes e coerências, que Alegre nunca teve.

Penso que a lição que essa esquerda tem de aprender é a seguinte: a desejável, necessária e, mesmo, absolutamente essencial convergência de esquerda só poderá ser construída sobre a sólida base de um projecto claro e concreto do que se pretende para o país e nunca sobre as águas pantanosas das vagas reminiscências ideológicas apregoadas por líderes mediáticos.

Apesar de tudo, esta saída de Alegre pela direita baixa, acaba por despoluir e muito o ambiente necessário para a construção de um verdadeiro diálogo à esquerda. O novo quadro parlamentar que emergir das eleições e as opções de cada um dos partidos perante ele serão decisivas para a possibilidade desse diálogo. Mas sempre com seriedade e coerência.

jornal de campanha - II

domingo, 13 de setembro de 2009

política de verdade

Se o fosse, estes seriam alguns dos outdoors do PS. ;)








arrancou

de mal a pior


Reveladora, desde logo, da forma como um comentador profissional (cujos sucessos literários, na minha opinião, advêm mais dos seus atributos de "socialite" e figura mediática do que propriamente da qualidade da literatura) procura assegurar a sua sobrevivência e manter a sua notoriedade: polémica estéril, algumas enormidades, falta de educação qb e, sobretudo, um precioso e diplomático equilíbrio na distribuição das críticas entre os vários actores políticos. Afinal para um comentador tão cheio de opiniões, um cargozinho governativo nunca está muito longe no horizonte.

Reveladora, depois, no paternalismo proto-fascista em relação à juventude (e eu não sou suspeito de ser fã da JS!) e pela forma como considera que estes não têm que se preocupar com assuntos dos quais supostamente nada percebem, como a lei do divórcio ou das uniões de facto. E vem esta crítica de alguém cujo ganha pão é ter opinião e falar sobre tudo: sobre o que percebe e sobre o que nitidamente não percebe!

Reveladora, ainda, da falta de objectividade de quem tem de produzir polémica para sobreviver e não tem muito tempo para estudar os assuntos. A forma como oblitera o que são os reais problemas da juventude, como o desemprego, o trabalho precário e os custos da educação, por exemplo, mostram bem o seu distanciamento da realidade. Mas, também, a forma como analisou o programa do PSD, não pelo que lá está escrito, mas pelas supostas e adivinhadas intenções da sua líder, não passa de oca especulação política para encher páginas de jornais e bolsos de comentador.

Por fim, uma nota da decepcionante qualidade humana de Miguel Sousa Tavares: a falta de solidariedade que demonstra para com os profissionais da TVI com os quais trabalhou durante tanto tempo, são demonstrativas de uma frieza e egoísmo que é raro encontrar.

Como MST tanto gosta de adjectivar: Inenarrável!

sábado, 12 de setembro de 2009

o fim do regime



"Der krieg ist verloren."

Apenas humor, claro!

Juan Almeida Bosque (1927-2009)

Aos 82 anos, faleceu o Comandante Juan Almeida Bosque, um nome que a maior parte de nós nunca ouviu falar mas que, desde 1952, é uma peça fundamental da Revolução Cubana. Actualmente, era Vice-Presidente do Conselho de Estado de Cuba.

Concordemos com ele ou não, tratava-se de um homem determinado que entregou toda a sua vida a lutar por aquilo em que acreditava. E, nas palavras de Brecht: "Esses são os homens imprescindíveis". Coerência. Fidelidade. Generosidade. Exemplos que nos vão faltando.

À medida que Cuba vai assistindo ao natural processo de substituição de gerações, a revolução cubana continua a demonstrar importantes sinais de vitalidade, para desgosto dos que, impotentes para a destruir, optaram pela postura atentista de esperar pelo seu fim, supostamente inevitável. As jovens gerações cubanas apercebem-se dos elevados níveis de desenvolvimento humano, e mesmo bem-estar, nas quais Cuba se distingue nitidamente dos seus vizinhos latino-americanos e, nalguns aspectos, mesmo dos norte-americanos e entendem que esse foi o fruto da revolução que lhes cabe agora defender e aprofundar. O legado de homens como Almeida Bosque.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

jovens doutores

Animado por uma evidente e substancial dose de anti-comunismo, Daniel Oliveira deu à estampa nas páginas online do Expresso um texto intitulado "jovens turcos". Disfarçando a intenção menorizadora sob a terminologia de quem conhece algumas generalidades sobre a vida interna do PCP, DO procura insultar toda uma geração (ou mesmo várias?) de militantes e dirigentes comunistas. Filho de boa gente como me presumo ser, sinto-me e, reconhecidamente, acuso o toque.

Mas procurando pôr de parte a emocionalidade que as palavras de DO me geram, importa analisar com mais cuidado alguns dos seus argumentos.

Diz DO que "desde que Jerónimo de Sousa e um grupo de quadros comunistas que até então se mantinha na segunda linha tomaram a liderança do PCP" o Partido "estancou a queda eleitoral e empobreceu drasticamente a qualidade dos seus quadros." Passe a avaliação que DO faz sobre o que nitidamente pouco conhece, importa relembrar que o PCP não apenas estancou a queda eleitoral, como tem experimentado um vigoroso crescimento eleitoral que há muito não experienciava, como é comprovado pelo aumento de 70.000 votos nas últimas eleições europeias.

Continuando na senda do insulto gratuito, DO procura em seguida invocar o nome de grandes parlamentares comunistas (de entre os quais estranhamente se esqueceu de mencionar Luís Sá ou Carlos Carvalhas), para tentar menorizar a intervenção de parlamentares da qualidade técnica e política de António Filipe, Honório Novo ou Bernardino Soares e ignorar o valor que os novos e jovens deputados do PCP, como Miguel Tiago ou Bruno Dias, trouxeram ao hemiciclo e o contributo que acrescentam à bancada comunista.

DO, como alguma gente dentro do Bloco de Esquerda, tem muita dificuldade em perceber como é que um Partido Comunista possa ter uma liderança que não seja composta exclusivamente por intelectuais. Essa dificuldade não é de estranhar num partido (ou coligação?) que há mais de dez anos é conduzida pelo mesmo reduzido directório cujo único prestígio reside nos seus incontestáveis méritos académicos. Mas, a dificuldade advém, sobretudo, do facto de laborar num erro: o de confundir o grau de escolarização, erudição diletante ou cultura pessoal com o grau de consciência social e política.

Da mesma forma, laboram em erro idêntico os que identificaram o Sector Intelectual com o sector que tem a incumbência da produção teórica dentro do PCP. Trata-se, de uma estranha e velha distorção do pensamento marxista que tenta separar o que por natureza é inseparável: a teoria e a prática. Como se tivesse sido apenas pela contemplação teórica do capitalismo que os trabalhadores se armaram com a doutrina revolucionária que conduzirá à sua superação! DO menciona os nomes de Lenine, Gramsci, Carrilho, Castro ou Cunhal. E seria bom que os lesse não como sistemas abstractos e acabados, mas sim nas pistas e nos desafios que lançam para a acção.

Ao contrário do que pensa DO, no PCP, todos os militantes constroem teoria, através do seu estudo e experiência pessoal e mútua, partindo da análise dos problemas reais, na discussão e construção da opinião colectiva: a síntese que, solidamente ancorada na realidade, permite ao PCP entender os problemas e propor soluções para os problemas do nosso tempo, sem perder de vista os objectivos fundamentais no horizonte.

Não nego, como poderia?, que alguns militantes, porventura, subvalorizam os deveres consignados na alínea i) do artigo 14º dos Estatutos do PCP ("procurar elevar o seu nível cultural, político e ideológico"), ou os da alínea e) do mesmo artigo ("aprofundar o conhecimento do meio em que se desenvolve a sua actividade e transmiti-lo ao Partido, reforçar a sua ligação com os trabalhadores, com outras camadas laboriosas e as populações, defendendo as suas justas reivindicações e aspirações;"). E que essa é uma atitude que deve ser criticada. Mas não parece intelectualmente honesto que se tente confundir a árvore a árvore com a floresta. Até porque este dever, mais nenhum partido (ou coligação?) o tem inscrito nos seus documentos fundamentais.

A já longa sobrevivência PCP deve-se ao contributo de gerações de homens e mulheres que generosamente dão o melhor da sua experiência e conhecimentos a uma causa de séculos. E, nesse contributo, todos são iguais. Sejam doutores ou não.

para o ano há mais!



Não estive lá, mas foi assim.

Para o ano há mais!

domingo, 6 de setembro de 2009

e o PS não pára

Candidatura de assessor de Sócrates compra dois jornais locais

Muito melhor do que conquistar uma vitória, é comprá-la e metê-la no bolso. Democracia? Quem é que falou em democracia neste PS da vitória a todo o custo e por qualquer meio? As velhas recordações da esquerda socialista, são a empoeirada bandeira que se agita nos períodos eleitorais, mas que perdeu, há muito tempo qualquer sentido ou razão de ser entre os seguidores da rosa.

Mas talvez até seja errado dizer que o PS se tornou um partido direita. O PS, enquanto conjunto, é apenas pragmático, sem causas e sem convicções, a-ideológico e muito, muito viciado no poder e nas suas benesses. A qualquer preço e de qualquer forma.

sítios onde gostaria de estar

sábado, 5 de setembro de 2009

frases que definem uma época



"Eu tenho um contrato de trabalho. Não posso fazer comentários"

a não perder nos próximos dias


Injustamente, esqueci-me de dizer que encontrei isto nos Jovens de Abril.

provas


Este era o spot promocional que TVI tinha preparado para o relançamento do Jornal Nacional das sextas-feiras (que roubei desavergonhadamente ao Fiat Lux). Depois disto ainda haverá quem acredite que se tratou de uma decisão "de gestão"?

Quanto à reportagem sobre o Freeport emitida ontem, ainda falta que Manuela Moura Guedes, e apenas ela, venha confirmar se se trata efectivamente da famosa reportagem anunciada, ou se foi servida aos espectadores uma versão "higienizada".

Perante isto tudo, quantas provas mais serão precisas para se perceber o que se passou, de facto?