Através de uma peticionária recolha de assinaturas, com rápida e massiva adesão dos açorianos (e não só), está sem dúvida generalizado um debate público essencial para estas ilhas, qual seja: a necessidade do abaixamento das tarifas aéreas.Efectivamente esta põe-se como uma medida incontornável de dinamização cívica, política e económica da Região, bem como para a salvaguarda e o incremento da sua coesão, dadas as características arquipelágicas e as distâncias consideráveis que separam fisicamente os Açores do resto do mundo.
Desde já felicito os patrocinadores da iniciativa. Desejo referir no entanto que não partilho da ideia, a ela subjacente, que com a chamada abertura do espaço aéreo às companhias de low-cost ficaria resolvido o problema que o abaixo-assinado teve o mérito de trazer a debate público, e que está, estou seguro, na mente de todos os que o assinaram.
Porquê? Porque o espaço aéreo já está aberto entre os Açores e a América do Norte e entre os Açores e a Europa, mas (a não ser com condições atractivas conjunturais, investidas pela Região na sua promoção turística) nem por isso as low-cost vieram cá aterrar…
Sendo aberto, portanto, também para o Continente e Madeira, as low-cost, pelos critérios de rentabilidade com que se gerem, viriam aterrar em S. Miguel, e apenas em S. Miguel (ou talvez também na Terceira, mas com uma probabilidade pequena). E aqui a questão pia mais fino, não sei se para as ideias liberais do actual Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, mas certamente para os Açores no seu conjunto. É que estaríamos a incentivar um abaixamento do custo das tarifas aéreas (direito inalienável de todos os açorianos) apenas para os que, por sorte geográfica, fossem considerados massa crítica justificativa da operação das low-cost! Ora, parece-me a questão em apreço por demais relevante para ser tratada como uma simples questão de sorte geográfica…
A resposta justa terá de ser outra e, com ou sem low-costs, só poderá ser a do investimento público regional (para os voos inter-ilhas) e nacional (para os voos de e para o Continente e Madeira) no abaixamento generalizado das tarifas. O que também permitirá, aliás, maior facilidade de circulação a quem, partindo do Continente para conhecer os Açores, se vê actualmente compelido a quedar-se apenas uma ou duas das suas ilhas.
Em entrevista concedida ao Correio dos Açores de anteontem o Presidente da SATA (uma das partes envolvidas na questão), desiludiu francamente esta legítima expectativa, pois foi falando de coisas que ninguém sente: “As tarifas nos Açores baixaram sobremaneira e a contra-ciclo”! E de outras que pouco significam, como as tarifas “discount”, ou as “promocionais” para o Continente que em 2009 chegaram a 120 euros, para alguns sortudos.
120 euros é o preço “normal” das tarifas para o Continente, num arquipélago ainda mais longínquo: Canárias! E entre ilhas o Governo daquela Região Autónoma comparticipa 50% do custo das passagens aéreas (que andam pelos 35 a 60 euros)!
Verdade, verdadinha, com low-cost ou sem low-cost, tarifas aéreas menos onerosas, por cá, por enquanto só para sortudos…
Mário Abrantes











