domingo, 21 de fevereiro de 2010

pigs

PIGS é o termo utilizado por especialistas financeiros para os países do sul da União Europeia (Portugal, Italy, Ireland, Greece, Spain).

Se, por um lado assume uma carga claramente pejorativa (eu odeio concordar com Teixeira dos Santos), por outro revela a clareza óbvia da fragilidade das economias destes países. Dá-nos a exacta medida de como somos vistos pelos mercados mundiais: o nosso papel é apenas o de fornecer bacon.

E depois andam alguns dos nossos pobres políticos muito preocupados com "passar uma imagem positiva lá para fora", como se no mundo em que vivemos pudessem ocultar as nossas dificuldades para como que "iludir" os investidores estrangeiros.

Vale a pena reflectir um pouco sobre o que une a afasta as economias destes países. Temos lições para aprender.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

a rolar encosta abaixo

Açores recuam em relação à média europeia

De acordo com a notícia de capa do AO de hoje (sem link), os Açores cairam em termos de riqueza produzida por habitante em relação à média europeia, de 68,6% em 2006, para 67,6% em 2007, de acordo com o Eurostat. E isto apesar de serem das regiões que recebem mais ajudas e apoios financeiros em toda a Europa .

Que lições podemos tirar deste desastre? A primeira e mais óbvia é a do completo falhanço das estratégias definidas em termos de modelo de desenvolvimento. As soluções de "text-book" de economia aplicadas sem qualquer ponderação da nossa especificidade e contexto dificilmente trariam alguma coisa de bom. A aposta teimosa, renitente e irrealista no turismo e serviços, vendo a terciarização forçada e sem sustentação como sinal de modernidade, deixaram a economia regional muito mais dependente, endividada e vulnerável aos contextos internacionais. Agora que esses contextos são maus, ficamos sem nada. Apenas potencial por realizar, expectativas por cumprir. Os investimentos nos sectores que são directamente produtivos foram sempre secundarizados e muito mais virados para a satisfação de clientelas políticas do que com uma real visão modernizadora.

Não há, naturalmente, modelos que nos permitissem permanecer incólumes à crise económica mundial. Mas com certeza poderíamos ter uma agricultura mais forte e produtiva, umas pescas mais modernas e dinâmicas, uma panóplia de produtos regionais específicos que, pese embora a pequena dimensão da produção, tivessem já conquistado nichos de mercado específicos, que trouxessem as mais valias para a Região, em vez de as atirar pela janela em incentivos e apoios a projectos megalómanos que nada produzem.

Responsáveis existem. E são, naturalmente, em primeiro lugar, os dois maiores partidos que nos têm governado. Mas pensando melhor, se calhar somos todos responsáveis. Aqueles de nós que fomos acalmando as preocupações porque o subsídiozinho lá estava certo ao fim do ano, aqueles de nós que nos fomos calando perante a incompetência e o esbanjamento porque, enfim, isso sempre houve, e não nos quisémos "meter em política", aqueles de nós que, eleição atrás de eleição, lá fomos "botando o votinho" certo, sem qualquer esperança de mudar para melhor. Não fomos todos que acalmámos, calámos e votámos, mas fomos a maioria infelizmente. Os tempos mudaram. O subsídio vai acabar e teremos agora, fatalmente, todos, de nos preocupar outra vez.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

proteger os tubarões

O Programa Ambiental das Nações Unidas conseguiu, no âmbito da Convenção Internacional sobre espécies migratórias, um novo acordo internacional para a protecção de várias espécies de tubarões.

Em prol de outras espécies mais simpáticas ou populares (e porventura não estigmatizadas como monstros sanguinários pelos filmes de Hollywood), os tubarões foram em grande parte esquecidos, quer pela investigação, quer pelos ambientalistas. Mas também os maiores predadores dos oceanos têm sofrido com a acção humana. Apesar de estarem acima de nós na cadeia alimentar (brr!), de acordo com dados disponíveis, calcula-se que cerca de 17% das 1044 espécies de tubarões estejam ameaçadas e presentemente o nosso conhecimento sobre cerca de 47% destas espécies é demasiado limitado para nos permitir avaliar se são ameaçadas ou não.

Boas notícias e que interessam aos Açores no início do Ano Internacional da Biodiversidade.

lixo? não. ouro.


A empresa Recolte vai receber cerca de 184.000 euros por ano da Câmara da Lagoa para proceder à recolha dos resíduos sólidos, durante oito anos.

É apenas mais um passo, entre outros dados também pelo Governo Regional, com vista à privatização da gestão de resíduos e outras actividades de protecção ambiental, num caminho perigoso em que a experiência de outros concelhos em Portugal já mostrou não haver quaisquer vantagens económicas, apenas a redução de direitos e salários dos trabalhadores envolvidos (que deixam de ser funcionários municipais) e, sobretudo, mais um chorudo negócio para entregar à cobiça privada.

o que vem de trás

Dois anos antes de se começar a falar de crise financeira internacional (estávamos em 2006), em paralelo com o anunciado desaparecimento de 1/5 (21%) das explorações agrícolas regionais (entre 1999 e 2005), o desemprego começou a crescer nos Açores, ao contrário da tendência nacional da altura. Partindo de uma situação anterior, considerada estatisticamente residual (cerca de 2%), estava-se então a chegar oficialmente aos 4%!

Perante esses números e em nome da boa gestão política da Região, quanto a perspectivas e medidas de futuro, longe de estabelecer um inevitável relacionamento (directo ou indirecto) entre os abandonos da actividade primária e o aumento do desemprego que então se registavam, o Governo Regional optou antes por enfatizar as flutuações mensais deste último, descansando tudo e todos, ao afirmar que se tratavam de variações momentâneas e pouco significativas. Sem medidas preventivas portanto, e ainda sem a crise internacional para o justificar, o certo é que os números do desemprego nos Açores não pararam de subir desde essa altura.

O quadro em presença completava-se (dever-se-ia dizer, preocupantemente) com o registo regional da mais baixa taxa de actividade do país (46% da população), o menor poder de compra (por cabeça), e os menores salários da União Europeia…

Dois anos passados, embora oficialmente tida como de chegada mais tardia e de mais rápido desaparecimento que no restante território nacional, a crise teimava em acentuar-se, e, confrontado com os oficiais 7% de desempregados em finais do ano transacto, a resposta do Governo Regional era agora: “A dimensão do desemprego nos Açores ainda continua a ser inferior à situação nacional. Foi apenas uma tempestade que se abateu.” Logo o sol voltaria a raiar, portanto! E logo aconteceu sim, não o sol a raiar mas uma sucessão de falências e empresas em dificuldades no sector hoteleiro e da construção civil, o terramoto na fileira do leite e a contínua e acentuada quebra do turismo, a atirarem com os números do desemprego para valores talvez nunca atingidos, desde que a Região é região!

Após o pouco responsável e desarmante cenário de recuperação anunciado para finais de 2009, quando afinal ainda a crise não se fazia sentir com todo o seu peso nos Açores, em 2010, na Assembleia Legislativa da RAA o Presidente do Governo proclamava agora que: “Seria absurdo encontrar razões locais para os problemas da crise, no sentido do seu agravamento na Região”(?)

Através, primeiro, da sub-valorização da situação anterior à crise, e depois, pela responsabilização exclusiva dos factores externos, para justificar a sua presença, assim se vem assistindo, na prática, à sucessiva auto-desresponsabilização governativa pelos graves desequilíbrios estruturais existentes (que subsistem por fuga continuada ao seu combate prioritário), e pelos números do desemprego, que nos Açores se vêm agravando constantemente.

E não vale a pena persistir na justificação de que eles são menores que a média nacional, pois além do que foi dito, é conveniente assinalar que o impacto negativo do desemprego aumenta na proporção inversa da taxa de actividade. E é por cá que ela continua a ser a menor do país…

Mário Abrantes

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

paredes





O Mestre faria hoje 85 anos. Há de fazer muitos mais na memória dos portugueses.

a escada está partida

(Instalação de Elmgreen & Dragset no Kunsthall em Bergen, Noruega)

Educação dos pais determina salários dos filhos

Portugal é um dos países onde o nível educativo dos pais mais determina o destino escolar e o nível salarial dos filhos quando estes chegam ao mercado de trabalho. Ou seja, se um jovem tem pais que estudaram pouco, tenderá a ficar-se pelo mesmo patamar, conclui um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que analisa a mobilidade social entre gerações.

Esta é a face real da mobilidade social no nosso país. Factores como as despesas escolares e anexas e, sobretudo, a introdução de propinas no Ensino Superior determinam esta clivagem social, que caminha para um fosso social, um problema cujas consequências teremos de enfrentar mais cedo que tarde.

A democratização do ensino superior no 25 de Abril tornou a universidade o principal instrumento de mobilidade social. Procurava-se aumentar as qualificações para ascender socialmente. O rumo certo para o desenvolvimento do país. Hoje em dia, para a maior parte dos portugueses, essa escada está irremediavelmente partida. (Re)instituímos a desigualdade e rigidez da escala social de outros tempos. Este é um daqueles números que mostram como inegavelmente andámos para trás.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

79 anos de liberdade

Não podia deixar de assinalar os 79 anos do Jornal Avante! que hoje se cumprem. Foram 75 anos de edição ininterrupta, atravessando todo o período da ditadura. Redigido e impresso clandestinamente, distribuído com o risco e sacrifício de muitos e muitos comunistas e outros democratas, o Avante! permaneceu a única voz livre e a única fonte de informação a escapar às malhas da censura. A história deste jornal é toda uma aventura feita a andar com a tipografia às costas, de máquinas de escrever dentro de caixas de madeira para abafar o ruído, de pacotes anónimos deixados em locais combinados, de papeis passados a medo, de mão em mão, de palavras livres a riscar esperanças num país cinzento. Foi (é) sobretudo uma história de determinação.

Os dias que hoje vivemos em Portugal tornam clara a tendência do poder político para recorrer a todos os meios para controlar a informação a informação que chega aos cidadãos, a leitura das páginas do Avante! convida-nos a uma reflexão também sobre a importância de um jornalismo comprometido com valores, envolvido na sociedade que o rodeia, mas, sobretudo, livre.

Vale a pena dar uma olhada a todas as edições do Avante! clandestino (1931-1974), que se encontram livremente disponíveis aqui.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

idiotas completamente inúteis


Ao ocupar uma posição tranquilamente simbólica e gostosamente remunerada como a de Presidente-não-executivo (para que é que serve uma coisa dessas?) da PT, Henrique Granadeiro, na certa, nunca imaginaria ver-se metido em tais alhadas. É muito chato ser-se o último a saber. Dá-nos a dimensão exacta da nossa própria utilidade.

idiotas (mesmo) úteis

Neste momento, só uma hecatombe política retiraria a Vítor Constâncio o lugar de vice-presidente do BCE até 2018.

Depois de diversos e graves escândalos na supervisão bancária, que resultaram em casos tão exemplares como os do BPN ou BPP, Vítor Constâncio vê a sua inépcia recompensada, tendo agora a oportunidade de ir aplicar toda esta sua competência e eficácia no regulador do sistema bancário europeu. Imagino os festejos nos conselhos de administração dos bancos da Europa. Agora sim! Vai começar o grande rega-bofe!

Sendo verdade que Vítor Constâncio se destacou pela total e absoluta incompetência no Banco de Portugal, a verdade é que é um idiota mesmo útil: nunca se fez rogado nos apelos ao corte de despesa pública e na insistente cassete do apelo à contenção salarial (para os outros, não para ele, já se vê).

idiotas úteis

Graças ao estimado vizinho My Web Time, fiquei a saber quem é Rui Pedro Soares, o homem que apresentou a providência cautelar para impedir a publicação do SOl.

O seu percurso é toda uma lição sobre os nossos tempos e sobre a natureza da "esquerda moderna".

Tendo começado a sua carreira mandando estampar uma imagem de Che Guevara e um poema de Manuel Alegre nas t-shirts da JS de Lisboa, que liderava com o slogan "Nós vamos pela esquerda" consegue, em pouco tempo, ver-se guindado à posição de administrador executivo da PT, auferindo cerca de 1.200.000€ (yap. Não me enganei. São mesmo um milhão e duzentos mil euros por ano), ironicamente 16 vezes mais do que o próprio José Sócrates.

Esta capacidade de se apropriar dos símbolos e discurso tradicional da esquerda, enquanto se praticam e se assumem posturas que nada têm a ver com eles, é muito característica do pântano ideológico a que chamam "esquerda moderna", que em Portugal reside essencialmente no PS, mas também, marginalmente no BE. Um estranho divórcio entre forma e conteúdo que objectivamente esvazia toda a prática e pensamento políticos, em prol do mais básico pragmatismo utilitarista. O pragmatismo é, de facto, um traço do pensamento guevarista. O objectivo de subir a todo o custo não.

Figuras como Rui Pedro Soares são o produto natural deste tipo de pensamento(?). Aliás, são os seus instrumentos indispensáveis: Idiotas úteis e sem escrúpulos. Naturalmente bem remunerados.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

tapar o sol com a providência

Providência cautelar tenta impedir publicação de mais escutas no semanário "Sol"

Sem discutir a legitimidade jurídica da providência cautelar, o que é certo é que a imagem que os envolvidos transmitem é terrível. Se as escutas não os envolvem em nada ilegal, porquê toda esta intranquilidade?

Impedir a saída de um grande semanário nacional não é brincadeira nenhuma e mostra-nos que alguém está disposto a tudo para a impedir a sua divulgação. Ficam muito poucas dúvidas que o conteúdo destas, seja ele qual for, é certamente bombástico. Paradoxalmente, esta tentativa pública de ocultação poderá acabar por ditar a morte política de José Sócrates. Se é que ela não aconteceu já. Novas eleições à vista?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

capitalismo: um drama passional


Michael Moore consegue em "Capitalismo, uma história de amor" mais um filme de grande impacto, um retrato impressionante da crise económica global, as suas causas, os seus protagonistas e as suas vítimas.

Não pode deixar de impressionar o depoimento corajoso da Representante Marcy Kaptur sobre a forma como os órgãos legislativos americanos foram pressionados para a aprovação de um pacote de ajudas aos grandes bancos, sem qualquer avaliação, sem quaisquer contrapartidas.

O retrato da história de amor traído entre a América e o Capitalismo. A não perder!

a teoria e a prática

Darwin, analisando critica e criativamente factos, foi gerador de uma ideia em cuja polémica e de cujas consequências globais nunca participou efectivamente: a teoria do evolucionismo. Mal soube ele, no seu eterno descanso, as convulsões que, entre os vivos, o seu trabalho desencadeou. Actualmente esta teoria foi assumida pela humanidade como parte integrante do património científico por ela adquirido, e aceite.

À escala devida, isto é, entre vizinhos e por estas ilhas, pretendo hoje chamar-lhe a atenção, caro Leitor, para um processo que, embora inverso, nem por isso será, em minha opinião, menos consequente que o anterior.

O meu estimado amigo e sub-director deste jornal, Manuel Moniz, numa análise séria que, como outras aliás (apesar de eventuais divergências no respeitante às ilações), fez à situação da Sinaga e da sua recente regionalização parcial, desvendou, por observação e capacidade dedutiva próprias, autorizado pelas condições publicitadas da intervenção governamental, que a empresa daria prejuízo porque o accionista principal absorvia em remuneração a mais-valia por ela criada, consumindo, para além disso, parte das suas reservas, progressivamente transformadas em passivo, cujo montante poderia ascender (o segredo é a alma do negócio...e, direi mesmo, dos prejuízos não explicados) aos 8 milhões de euros.

Foram anos e anos de desgaste de recursos materiais, financeiros e intelectuais, de toda a qualidade e quantidade, mobilizados por essas instituições fora, desde a Região, ao País e até Bruxelas, para a viabilização da Sinaga. Saíram decretos e regulamentos de todo o género para atender ao caso particular desta empresa. Porque eram as ramas que não podia importar, porque era o açúcar que não podia exportar, porque eram os potenciais concorrentes do continente a boicotar, porque eram as derrogações que se pretendia autorizar. Para afinal, talvez porque o segredo foi a alma do negócio (mesmo com dinheiros e instituições públicas ao barulho), se vir a descobrir que bastava dispensar o accionista principal e substitui-lo por um gestor público, para a empresa se tornar viável e conseguir, com os lucros gerados e reinvestidos nos próximos anos, saldar o seu passivo até 2013.

A dedução de Manuel Moniz pode, como ele próprio salvaguarda, não ser totalmente rigorosa, mas é brilhante quanto às consequências e ilações, pois, através dum exemplo concreto, alcançou uma excelente demonstração prática daquilo que se está passando por esse país fora e à escala planetária, gérmen da crise e instabilidade globalizada. A demonstração da validade de uma teoria que já existia (por isso falei de início no inverso do que se passou com o evolucionismo darwiniano) que é a da apropriação privada dos meios de produção e das mais-valias criadas pelos outros, como fonte principal dos prejuízos, injustiças e misérias que assolam a humanidade.

O sistema é este. Só por isso ninguém fala em crime. E, depois de anos sem exigir explicações sobre prejuízos continuados, as indemnizações, em lugar de serem sacadas aos responsáveis, são os poderes públicos que lhas pagam, com o dinheiro de todos, para “nacionalizar” património e dívidas, com vista à viabilização das empresas e defesa dos seus postos de trabalho.

Um paliativo excessivamente caro, para uma doença crónica que sobretudo interessa (e é possível) erradicar.
Mário Abrantes

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

a mancha

Depois de Paulo Rangel ter denunciado no Parlamento Europeu o plano do Governo para controlar a comunicação social, logo os eurodeputados socialistas reagiram indignados afirmando que este "manchara a imagem do país".

Esta reacção pode fazer pensar que os eurodeputados dos outros países não lêem jornais e que foi apenas graças a Rangel que ficaram a saber das escandaleiras lusitanas. Mas provavelmente lêem e provavelmente já sabiam. A reacção socialista é a do tradicional "é melhor não falar nesse assunto".

A atitude contundente de Rangel e a dureza das suas palavras acabam por expressar bem o sentimento de cada vez mais portugueses que estão fartos deste PM e do seu rasto de escândalos. Aliás, como alguém escreveu, por bem menos do que isto foi Santana Lopes demitido...

A mancha que existe, sim, não é de quem tem a ombridade de se erguer e denunciar a injustiça, é de quem a comete e de quem a tenta silenciar.

quem nos viu e quem nos vê

Vale a pena comparar as agendas do Parlamento Regional da presente legislatura com as anteriores.

De sessões com um único diploma para discutir, por exemplo, para uma média de 14 ou 15 pontos por sessão legislativa, muita coisa mudou no Parlamento Regional.

E, desde logo, esta diferença tem a ver com a nova composição do Parlamento. A presença de mais forças políticas tem aumentado exponencialmente não só o volume, como a diversidade de assuntos abordados. Também é relevante o número de petições dos cidadãos, que tem aumentado. Boas notícias.

Do deserto legislativo em que PS, PSD e CDS se aborreciam para a situação actual, o problema começa a ser mesmo o inverso. É que existem quase duas dezenas de iniciativas que esperam a sua vez para ser discutidas. E este volume tem tendência para aumentar. Alterações profundas no funcionamento da Assembleia Regional terão forçosamente de ser abordadas nesta legislatura. O prolongamento da duração das sessões, de 3 para 4 dias, pode ser uma boa opção. Mas é de recear que PS e PSD optem antes por cortar ainda mais os tempos de intervenção (que sempre lhes sobram) em prejuízo dos grupos parlamentares mais pequenos (para quem o tempo sempre escasseia), limitando a riqueza e pluralismo da discussão na ALRAA. Será de lamentar se assim for.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

assino por baixo

Já está online uma petição contra o treino de caças F-22 na Base das Lajes

A ideia é transformar os céus dos Açores num gigantesco campo de treinos militares sem que o arquipélago receba por isso qualquer contrapartida directa. Pior: os impactos ambientais e os eventuais condicionamentos à aeronáutica civil são ainda desconhecidos.

Desenvolvimento, cooperação: precisamos. Campos de treinos de caças: Não! Participe. subscreva a petição.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

o lado oculto do Governo


E quem o diz é um procurador do Ministério Público. O Plano de Sócrates para dominar um conjunto de órgãos de comunicação social e silenciar alguns jornalistas incómodos é uma forma subtil, mas inequívoca, de golpe de estado.

Para parte dos nossos governantes o jogo democrático já nada tem a ver com políticas ou a visão que se tem para o país, mas simplesmente a sobrevivência, o manter-se no poder a todo o custo. Enredados numa complexa teia de influências, compadrios e corrupções o objectivo deixa de ser governar, mas apenas ir obtendo vantagens e satisfazendo clientelas e interesses a quem se deve favores. A decadência de todos os regimes, historicamente, começa passado sempre pela corrupção dos seus governantes. Para onde caminhamos?

um ano de Política





Assinalo hoje um ano de existência do Política Dura, com as fotos da manifestação dos alunos do Ensino Secundário, em Ponta Delgada, que foram gentilmente cedidas pelo António Lopes.

E estas fotos têm algo a ver com as razões para a existência deste espaço: a insubmissão, o inconformismo e, sobretudo a liberdade de ter e expressar opinião, de a discutir aberta e frontalmente são as razões que me movem. E que os moveram a eles, também.

Neste ano, aprendi muito mais do que ensinei. Convenceram-me, por vezes, fizeram-me mudar de ideias, enriqueceram o meu mundo. E, por isso, a minha primeira palavra vai para os comentadores assumidos, anónimos ou não tanto, sem os quais não valia a pena fazer um blogue. O meu grande orgulho: num ano de publicação, com discussões duras, às vezes a quente, nunca tive de apagar um único comentário. Era bom que continuasse assim.

Uma segunda palavra para a família dos bloggers açorianos que tantas vezes me servem de estímulo e inspiração. É bom ter vizinhos assim. E um agradecimento ao Planeta Açores que nos aproxima uns dos outros.

Por fim, agradecer aos amigos e colaboradores, em primeiro lugar ao Mário Abrantes, cujos textos muito acrescentam a este blogue em termos de conteúdo e reflexão, mas também a todos os outros, aos que escrevem textos, aos que dão ideias, aos que fornecem ou sugerem imagens. Não se faz Política sozinho. Obrigado.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

a miséria da modernidade


Continuar a reduzir os salários dos funcionários públicos e alargar a fatia deles que, actualmente, já sobrevivem abaixo do limiar da pobreza é que é moderno!

Já se sabe que em dia de manifestação é suposto um membro do Governo vir tentar menorizar as reivindicações dos manifestantes, mas o insulto à inteligência tem limites. O SEAP precisa mesmo de arranjar uma nova cassete. Se se trata de "dar o exemplo", porque não começamos por reduzir o salário e mordomias do Senhor Secretário de Estado e membros do governo? Isso é que era mesmo moderno!