A recente decisão da Caixa Geral de Depósitos e do BES de aumentarem os spreads sobre os empréstimos bancários dá-nos bem a medida dos interesses que movem os bancos. Num momento em que temos a nossa economia paralisada, em que as empresas precisam desesperadamente de crédito bancário para poderem investir e aumentar a sua actividade, numa conjuntura em que as taxas de juro até estão baixas, o que é os bancos fazem? Emprestar mais, protelar cobranças, diferir juros, conferindo dinamismo à actividade económica e ao consumo interno para revitalizar o país? Não! Nem pensar!
Apesar de usufruírem de milhões e milhões de euros de benefícios fiscais; apesar de pagarem pouquíssimos impostos, quando em comparação com os seus congéneres europeus; apesar de saberem que se as coisas correrem mal, o Estado prontamente os virá salvar do pior das suas dívidas, como sucedeu com o BPN, apesar, por fim, de terem, durante o ano de 2009, o tal ano da crise, acumulado lucros de muitos milhares de milhões de euros; apesar de tudo isso, não é com o sairmos ou não da crise que os bancos estão preocupados. Para os seus accionistas, se há crise, os outros que a paguem.
O caso da CGD é ainda mais chocante. Trata-se do banco do Estado, que deveria ser um instrumento do Governo para o desenvolvimento do país, não apenas mais uma máquina de acumular dividendos.
Numa altura em que o Estado se queixa da falta de receitas, em que as regras do famigerado PEC se preparam para nos pôr a todos a apertar (ainda mais) o cinto, não seria interessante fazer aos bancos o mesmo que eles fazem ao país e taxar devidamente as suas operações e dividendos, ou limitar-lhes os benefícios fiscais em função da sua atitude e participação no esforço nacional para sairmos da crise?
Não é chocante que os bancos se preocupem com o seu próprio interesse. Chocante é que o Estado não cuide do interesse do país.













