Até pode ser verdade, mas será que é isto que a JS Açores acha uma política de juventude? Party on!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
políticas líquidas de juventude
Até pode ser verdade, mas será que é isto que a JS Açores acha uma política de juventude? Party on!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
tomem lá uma aspirina
Tentanto que o seu indisfarçável acordo com as medidas de austeridade de José Sócrates passe despercebido, o Governo Regional lá anuncia umas medidas paliativas de pequena monta para tentar almofadar a situação social nos Açores.Os cortes no abono de família atingem milhares de famílias açorianas e as reduções no Rendimento Social de Inserção vão ser na ordem dos 20%. Um rombo monstruoso nos frágeis orçamentos dos mais carenciados. É claro que é positivo que se tente minimizar o impacto dos cortes nas prestações sociais. Mas é hipócrita fazê-lo ao mesmo tempo que se recusa criticá-los. E foi essa a atitude do PS Açores quando recusou a proposta do PCP para que, no Orçamento de Estado (se vier a existir), essas medidas não se concretizassem.
Este é o drama do PS Açores: como manter um ar simpático, vagamente de esquerda, ao mesmo tempo que se empurram os mais pobres dos pobres açorianos para uma miséria ainda mais profunda? Perante a gravidade terminal da doença, o PS Açores acena com aspirinas.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
antigamente chamava-se Europa
A utopia europeísta dos fundadores da comunidade está reduzida a isto: ao mais vil e pragmático monetarismo. E era perfeitamente expectável que assim fosse. A opção por avançar para o Euro "a toda a força", sem antes criar uma verdadeira coesão económica e social no continente, ía forçosamente trazer-nos a este ponto em que a debilitada economia de vários membros da União ameaça a solidez da moeda comum, que os restantes membros querem manter a todo o custo.
Sobretudo ficou por resolver o principal problema que a união pretendia resolver: criar as condições para transformar as nações que sempre se guerrearam e dominaram umas às outras, em parceiros de negócios, partilhando um destino comum. Pelo contrário, parece que cada vez mais assistimos à criação do sonho hitleriano do "Grossesdeutsches Reich", hierarquizando as nações europeias sob a batuta do estado director. E para tornar a analogia ainda mais clara, aí está a proposta de retirar o direito de voto aos países que não cumpram as respectivas metas de défice. Com a Alemanha e a França a tomarem à parte as decisões fundamentais sobre os destinos da união.
Perante isto, estamos já, de forma absolutamente clara, no campo de uma estrutura de estado colonial. Com ou sem independência simbólica (que é a única que ainda temos). O sonho europeu de uma associação de parceiros livres está oficialmente morto. Mas o seu cadáver começa mesmo a cheirar mal.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
açorianidade viva
É mais do que um prazer assinalar aqui o brilhantíssimo artigo de Antonieta Costa, "Açorianidade revisitada", que em boa hora o Jornal Diário disponibilizou integralmente.Revisitando os mitos que compõem o fundo do nosso inconsciente comum, Antonieta Costa reconstitui, com sobriedade, o difícil e complexo caminho da construção das identidades colectivas.
Porque este é também um sinal da nossa vitalidade: uma cultura em mudança permanente que reflecte sobre si própria e procura as raízes fundas da sua identidade para traçar, com segurança, os caminhos do seu futuro. Sobretudo, uma reflexão irrecusável.
abrir os olhos
O artigo de Carlos Melo Bento hoje publicado no AO demonstra uma importante mudança de posição do autor em relação ao PCP.Da total obliteração e apagamento, quando não raivosa crítica, passámos a um não disfarçado elogio, ainda que porventura de mal informado fundamento. Como é normal, todos fomos surpreendidos por este texto.
Afinal o que mudou? Foi o PCP Açores que, desde há muitos anos, coloca e continua a colocar as questões regionais e os problemas dos açorianos, no quadro da luta de todos os portugueses? Ou será que estamos perante um ataque tão brutalmente descarado à autonomia açoriana e ao nosso direito ao desenvolvimento, que os argumentos do PCP acabam por colher apoios mesmo nos mais inesperados sectores, permitindo levantar cegueiras de décadas de propaganda e preconceito? Serão talvez estes os tais ventos que limparam a areia dos olhos de CMB?
bruxarias da época
Pelos vistos, ultimamente, não passa uma semana em que esta gente não trompique nos próprios pés. Não sei se por causa da época de bruxedo em que a democracia parece andar envolvida, se bloqueados pela falta de luz ao fim do túnel, se por ralharem sem razão numa casa onde os papás (ex-desavindos) já se entenderam para tirar o pão… Cumulativamente com a data do corte da República nos abonos de família a 8 575 crianças e jovens açorianos e o corte nas comparticipações dos medicamentos, Miguel Correia, o Secretário Regional da Saúde, informou os açorianos que, por sugestão das próprias administrações hospitalares, o Governo resolveu, a partir de 1 de Novembro, cortar o horário de atendimento das urgências pediátricas. De imediato o corpo hospitalar desmentiu o governante dizendo de viva voz que nunca acordara tal desiderato. Alguém estava a mentir portanto!
César, contornando convenientemente a questão, resolveu célere o assunto deitando mais gasolina para o lume. Com ar ameaçador e as sílabas marteladas avisou, para quem o quisesse ouvir, que “não há sectores intocáveis!” E eu que o ouvi, pensei: Estou de acordo! Tal como para outras áreas, para a administração política da saúde pública, não há sectores intocáveis, isto, claro, na mira de melhorar a qualidade da prestação dos serviços (supunha eu...). Ora, segundo o corpo hospitalar e ao contrário do que afirmou o Secretário Regional, não é este o caso. Além disso o que parece também, é existir aqui uma manifesta falta de diálogo com os agentes da saúde pública, sendo essa falta substituída por indisfarçáveis e lamentáveis tiques de autoritarismo da parte do Governo.
Para quem afirma publicamente reconhecer os efeitos sociais nefastos das medidas previstas do orçamento de Estado, cozinhadas entre PS e PSD, além de ficar mal não subscrever tal crítica quando ela é apresentada no Parlamento Regional, mais mal fica ainda acrescentar, por sua lavra e para consumo específico dos açorianos, outras medidas com efeitos potencialmente perniciosos!
Entretanto, do outro lado das famílias desavindas, na passada 2ª feira, a líder do PSD atirava-se de cabeça ao Governo Regional, numa reunião com a Associação de Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, afirmando com toda a convicção do mundo que “importa não ter apenas verbas inscritas no Orçamento. Importa sim lançar as obras, executá-las…”!
Três dias antes, na reunião do Conselho Municipal de Educação, a Presidente da Câmara de Ponta Delgada, mostrando ao Governo como se deve fazer, anunciava que a autarquia tem “concluídos ou em fase de conclusão projectos de requalificação e ampliação de seis escolas de Ponta Delgada…”. Ora, das escolas então citadas, vem ao caso uma, a do Ramalho, que tem as verbas de requalificação inscritas no Orçamento do Município pelo menos desde Janeiro de 2009. Nesse mesmo mês, a Câmara anunciava que se preparava para intervir na sua beneficiação/ampliação com obras no valor de 800.000 euros. Estamos em finais de Outubro de 2010 e a única verdade testemunhável sobre estas obras é que elas permanecem…inscritas no Orçamento!
Serei eu que estou baralhado e, por bruxaria da época, a escola ficou pronta e eu fiquei cego? Ou a líder do PSD e a Presidente da Câmara de Ponta Delgada deixaram de ser a mesma pessoa?
Mário Abrantes
terça-feira, 26 de outubro de 2010
a esquerda não tem nada a ver com isto

O aparente dramatismo mediático em torno das negociações entre PS e PSD sobre o Orçamento de Estado é revelador da urgente necessidade que estes partidos têm de aparentar divergências sobre políticas em que, no fundamental, concordam: fazer todo, mas mesmo todo, o possível para deixar intocado o status quo económico, à custa de continuar a agravar as desigualdades sociais, fazendo caír o grande fardo de sacrifícios sobre os que têm sido continuamente sacrificados, explorados e excluídos dos frutos da riqueza que gerámos nas décadas de oitenta e noventa.
E essa é a questão de fundo. Porque foi opção do PS, desde as primeiras horas do adensar da crise orçamental do país negociar sempre à direita e nunca à esquerda. PEC's (1, 2 e agora 3), revisão constitucional, orçamento, em todas as matérias mais fundamentais para o futuro do país, a opção do PS foi a de fugir para os braços calorosos da direita, fechando todas as portas a entendimentos com os partidos à sua esquerda, apesar dos evidentes sinais de abertura, por exemplo da parte do Bloco de Esquerda.
Essa opção diz muito sobre o distanciamento da actual direcção socialista em relação aos fundamentos ideológicos que estiveram na base da fundação do PS. Há uma geração de dirigentes socialistas que esqueceu todo um importante conjunto de lições, vindas do pós-guerra, sobre a necessidade de equilíbrio social, que foram duramente aprendidas pela social-democracia europeia. Interiorizaram, bem demais, o credo capitalista liberalizante. São agora prisioneiros do seu próprio pragmatismo a-ideológico.
Quando o país entrar em ruptura, como fatalmente vai acontecer em resultado das medidas recessivas, Passos Coelho e Paulo Portas irão tentar capitalizar o falhanço da "esquerda", mas enganam-se. A esquerda não tem mesmo nada a ver com isto.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
descubra as diferenças
Cá, como lá: na Região como na República o PS e a sua política não é muito diferente: Cortar primeiro nas áreas sociais essenciaisEsta notícia assume contornos de uma verdadeira obscenidade quando pensamos quanto é que se gastou no espectáculo das supostas maravilhas ou na famosa festa de bar aberto em Lisboa para promoção dos Açores.
Entre César e Sócrates, um doce para quem descobrir diferenças!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
fora do tempo
O artigo de opinião da deputada do PS Cláudia Cardoso (repetido em estéreo nas edições de hoje do Açoriano Oriental e no Diário Insular) tenta esforçadamente demonstrar-nos que o Governo Regional lamenta muito os cortes de verbas de José Sócrates que prejudicam os Açores e que já estão a tomar medidas para minimizar o seu impacto.Este raciocínio redondo do "apoiamos mas lamentamos" demonstra bem o beco sem saída em que se encontra o PS Açores que, quando dá jeito apoiam o Governo de Sócrates, mas quando não dá, já não têm nada a ver.
Sobretudo, demonstra a forma como partem derrotados à partida para a batalha do Orçamento de Estado. Naturalmente que concordo com quaisquer medidas que minimizem o roubo feito aos portugueses pelo PEC. Mas este é, sobretudo, o momento para recusar essa política, para a combater, para a tentar alterar, em sede de discussão do OE.
Mas isso não faz o PS Açores, acenando com uns míseros paliativos para tentar distrair os açorianos das medidas que, verdadeiramente, apoia. apesar do seu verbalismo autonomista, a verdade é que não estão disponíveis para defender os Açores e, por isso, rejeitaram a proposta do PCP.
A prosa melíflua, embora brilhante (reconheça-se) de Cláudia Cardoso serve para isto: mostrar-nos como o PS Açores está já derrotado antes do tempo.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
descapitalizar o país para recapitalizar os bancos

São nada mais nada menos do que 12.146,2 milhões de Euros que a Comissão Europeia autorizou o Estado Português a dar aos bancos a título de "recapitalização das instituições de crédito".Percebe-se muito melhor a origem do défice e para que servem os sacrifícios que o PS pede aos portugueses.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
wrestling profissional
Queixando-se do corte de verbas para as autarquias previsto no Orçamento de Estado proposto pelo PS, Berta Cabral afirma que Carlos César trocou os Açores por Sócrates. Entretanto Sócrates troca o País pelos mercados financeiros e o PSD, com (ou sem) mais um pedido de desculpas aos portugueses, decide… apoiar! E aqui temos como se entorna o caldinho pela mão de quem diz que o quer segurar...Mas não se pense ser este apenas um caso de força maior, pois se recuarmos no tempo, até 22 de Fevereiro deste ano, uma publicação do “insuspeito” Instituto Sá Carneiro (do PSD), sem que nessa ocasião a Presidente deste partido nos Açores se rebelasse, já advogava como medida de curto prazo, “para diminuir a despesa pública”, uma “Redução de 10% das transferências do Estado para as Autarquias e Regiões Autónomas”. Medida essa aliás brilhantemente seguida e anunciada a 13 de Maio, com a bênção oportuna da visita papal, na apresentação do PEC 2 feita por…Sócrates.
César, pelo seu lado, preparando-se para rejeitar no Parlamento Regional a condenação das novas e gravíssimas medidas restritivas promovidas pelo seu partido, e subestimando o corte de verbas previsto no OE para as autarquias, prefere desviar as atenções e atacar antes a Câmara Municipal de Ponta Delgada acusando-a de gastar acima das suas possibilidades. Na mesma ocasião, José San Bento e os outros vereadores municipais do PS, numa dita de cooperação (“sem abdicar de divergências de fundo”, segundo eles) dispõem-se a… apoiar o orçamento da gastadora!
Tão amigos que eles se tornam em tempos difíceis…para os outros, claro!
O que isto mais me parece é a versão política de um jogo de wrestling profissional, uma arte de representação, onde os executantes criam um espectáculo de entretenimento simulando um combate desportivo, atacando-se de forma brutal e por vezes baixa, aparentando divergências de fundo (ao contrário de retóricas de vereadores), mas que estas se esfumam quando necessário e o público já pagou (votou) os bilhetes, para dar cobertura à natureza do “negócio”, como condição comum de sobrevivência mútua. Aquilo que os separa não é afinal a divergência de fundo, mas apenas jogos de poder…até que o árbitro os mande parar.
E o que se está passando neste país, é que alguém - os banqueiros e os mercados financeiros, pouco interessados se o executante será o PS ou o PSD, os mandou parar de momento com a jogatana porque outros valores mais altos se levantam e porque, não havendo maioria absoluta, os dois são necessários, não um de cada vez, mas ambos em simultâneo, para recrucificar o Zé Povinho. Pois é disso que se trata! Pelo menos 85 % das medidas do PEC 3 são para (voltar a) extorquir às famílias e aos de mais baixos rendimentos, segundo reconhece o misericordioso Bagão Félix, apesar de logo de seguida, não certamente por coerência de raciocínio mas provavelmente também a mando, afirmar que elas são as medidas necessárias (?)
“Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito. Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria. Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero. Obrigado pela vossa mediocridade. E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer. Obrigado por nos exigirem mais do que pudemos dar. Obrigado por nos darem em troca quase nada. Obrigado por serem o que são. Obrigado por serem como são. Para que não sejamos também assim. E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.” (De um poema de Joaquim Pessoa)
Mário Abrantes
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Autonomia para lá das palavras
Indo para lá dos que se limitam ao verbalismo sobre a Autonomia, o PCP apresentou na Assembleia da República um Projecto de Lei para permitir a existência de referendos regionais.A actual Constituição já o permite e o actual Estatuto já o prevê. No entanto, PS e PSD nunca tiveram grande interesse em regulamentar os referendos regionais para que possam ser efectivamente postos em prática.
Entre outras razões, talvez porque, se for aprovada, esta Lei vai permitir referendos por iniciativa dos próprios cidadãos. É que, ao contrário do centrão, para o PCP, Autonomia só se entende quando conjungada com Democracia. E é preciso passar das palavras aos actos para as conjugar.
renovar à moda antiga
Depois de uma enormidade destas por parte da sua figura tutelar, a modernaça "renovação comunista" está com cada vez mais cara de traição à moda antiga.
a palhaçada do orçamento
Como, aliás, era esperado. As constantes dramatizações e as declarações bombásticas, ameaçando moções de censura (semanas apenas depois do PSD ter votado contra a moção de censura do PCP) do líder do PSD nunca conseguiram iludir o facto que, depois do acordo dado ao PEC, o PSD ía mesmo viabilizar o Orçamento de Estado.
E não podia fazer outra coisa porque em relação às piores medidas que o OE consagra (reduções de salários, cortes nas prestações sociais, aumento de impostos) o PSD está completamente de acordo.
Os portugueses, esses, ganharam apenas o entretenimento grátis das palhaçadas e cambalhotas do líder do PSD, desesperadamente a tentar diferenciar-se das soluções que apoia e afirmar-se como alternativa a Sócrates, que nitidamente não é.
inutilidade
Depois do PSD e do CDS, agora também o PS nacional abandonou a proposta de extinção do cargo de Representante do Presidente da República.Está assim a questão naturalmente reconduzida à inutilidade política que sempre foi. Como já aqui escrevi, a eliminação desta figura representaria, no plano simbólico e no plano político, avançar para uma outra arquitectura do estado, já não unitário, mas sim federal. E, também já o disse, essa era uma fronteira que esses três partidos nunca atravessariam, apesar do raivoso verbalismo autonomista dos respectivos líderes regionais. Carlos César, Berta Cabral e Artur Lima sabiam-no muito bem. E, por isso se puderam entregar a essa feliz e descontraída irresponsabilidade para obter ganhos políticos.
O que resta? A clara demonstração do escasso peso político que as estruturas açorianas destes três partidos têm nas suas estruturas nacionais e, sobretudo, a inutilidade dos jogos políticos a que tantas vezes se entregam. Como é que podem esperar não ser menorizados se andam a brincar à revisão constitucional passando ao lado dos problemas reais dos açorianos?
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
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