sexta-feira, 22 de abril de 2011
A cantiga é uma arma
Música de Rui Rebelo com letra de Miguel Castro Caldas. Um grande abraço para os dois!
sexta-feira, 15 de abril de 2011
temos de ir à bruxa
Soubémos esta manhã que o concurso para a construção dos ferries para o Grupo Central foi suspenso sine diae.Ao que parece o consórcio ganhador pediu mais esclarecimentos que vão obrigar a estudos técnicos mais aprofundados.
Parece claro que o caderno de encargos tinha lacunas do ponto de vista técnico. O que é surpreendente tendo em conta a experiência que a Atlanticoline já tem em termos destes concursos e a valia dos técnicos que temos na Região.
A pressa é inimiga da perfeição, já se sabe. Mas o Governo Regional não conseguiu resistir à urgência de fazer mais um anúncio triunfal, que ajudasse a fazer esquecer o festival de incompetência que foi o processo de construção dos navios Atlântida e Anticiclone. A verdadeira revolução que os ferries rô rô irão trazer à actividade económica do Grupo Central, embora atrasada uns 15 anos, exigiria mais cuidado por parte da Secretaria Regional da Economia.
Os Açores andam definitivamente com azar aos navios. Vamos à bruxa ou mudamos de Governo?
sexta-feira, 8 de abril de 2011
hoje soube-me a pouco

A imagem é quase histórica, ilustrando a reunião entre PCP e BE ocorrida esta manhã.
Claro que ninguém esperava que se saltassem todas as etapas e se partisse logo para uma coligação pré-eleitoral ou algo do género. Por outro lado, também não estou seguro que isso fosse positivo do ponto de vista eleitoral. Para tal, teria sido necessária a ocorrência de longas negociações prévias, fora do olhar público, e um clima psicológico muito diferente em ambos os partidos.
Teria sido muito mais interessante apresentar um programa concreto de convergência parlamentar; uma proposta, um conjunto de propostas -concretas mais uma vez - que consubstanciassem as soluções da esquerda para a situação actual. Um programa que desse força a essa alternativa que é essencial para o país.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quem nos rouba
Os incontáveis milhões da dívida nacional não foram com certeza parar aos bolsos da generalidade dos portugueses. A situação a que levaram o país obriga-os agora a recorrer à pressão política externa para poderem continuar a explorar-nos. Até quando vamos continuar a permiti-lo?Mas, entretanto, é sempre bom ver que a luta já começou e em várias frentes.
resistir
Ouvimo-lo da boca de um José Sócrates preocupado com a sua imagem (como mostrou o directo da TVI ) e muito mais crispado do que o costume. Estará certamente preocupado com a jogada político-eleitoral para roubar o espaço a Passos Coelho, por um lado, e condicionar definitivamente a actuação do novo governo, seja ele qual for, por outro.
Apesar desta fortíssima chantagem que se impõe ao povo português, em que a concessão de um empréstimo "de ajuda" envolve como contrapartida a destruição do resto da economia nacional e a sua entrega directa aos interesses estrangeiros, a verdade é que hoje nada ficou decidido sobre o nosso futuro.
Em primeiro lugar as opções e posicionamentos do novo governo em relação a este pedido de ajuda serão determinantes. Mas, ainda mais importante, será a contestação social e a capacidade dos portugueses de travarem na rua as medidas que nos pretendem, uma vez mais, espoliar. Basta recordarmos como, em 1983, foi possível deter muitas das políticas mais inaceitáveis que o FMI nos quis impôr. E, recuando um pouco mais longe, é tempo de fazer apelo ao espírito de resistência celtibero, corporizado no nosso mítico Viriato, na imagem. Resistir ao estrangeiro e aos que pretendem vender a Pátria continua a ser a essencial. O que suceder ao país daqui para a frente continua a depender de cada um de nós.
terça-feira, 5 de abril de 2011
isto não é uma utopia (actualizado)
Por último, e agora sim, no campo das soluções de fundo: "A adopção de uma política virada para o crescimento económico onde a defesa e promoção da produção nacional assuma um papel central – produzir cada vez mais para dever cada vez menos. Com medidas imediatas que visem o reforço do investimento público, a aposta na produção de bens transaccionáveis e por um quadro excepcional de controlo da entrada de mercadorias em Portugal, visando a substituição de importações."
Isto não são utopias, são soluções possíveis e urgentes. E as únicas que não passam por cavar ainda mais fundo a miséria dos portugueses.
E, quase de propósito, leio esta manhã no Negócios Online: "PCP propõe vender 20% de títulos estrangeiros para comprar dívida portuguesa". Aí está à vista mais uma parte da solução.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
reiventar a esquerda
O anúncio de um encontro ao mais alto nível entre PCP e BE não pode deixar de ser uma boa notícia para a esquerda. Também o facto de ambos os partidos terem reuniões magnas agendas (Encontro nacional do PCP a 17 de Abril e Convenção Nacional do BE a 7 e 8 de Maio) augura decisões importantes, com reflexos em toda a vida política nacional.Num momento em que se agiganta a pressão da direita, acompanhada pela dramatização do PS, visando impor soluções ainda mais radicalmente direitistas, com o seu cortejo de impactos destrutivos sobre o país, é imperioso construir e afirmar uma alternativa.
Sobre os moldes, formas e tempos dessa alternativa, não tenho ideias definidas, mas reconheço-lhe a urgência. Quanto a convergências, elas são óbvias e já se verificam em quase tudo na Assembleia da República. Portanto, os obstáculos a esta aproximação são mais de carácter psicológico e simbólico e efetivamente contrariados pela fria análise política.
Imagino a preocupação com que este momento deve estar a ser olhado no Largo do Rato, pois o PS sabe bem que BE e PCP podem perfeitamente conseguir superá-lo eleitoralmente, reinventando o quadro partidário da esquerda.
O momento que o país atravessa, com as suas terríveis ameaças, mas também com as suas exaltantes possibilidades, impõe a responsabilidade aos dois partidos de conseguirem fornecer essa alternativa. Os olhos de todas as esquerdas vão estar postos nessa reunião. E os da direita também.
quinta-feira, 31 de março de 2011
César! César! César!
O Açoriano Oriental de hoje, na sua edição impressa, conseguiu a rara proeza uma só declaração do Presidente do Governo Regional fazer três notícias. Três!Se por um lado destacou na capa e notícia de página inteira a triste chantagem demagógica das "SCUT's sem portagens só com governos do PS" (o que até é bastante estranho se pensarmos na actuação de José Sócrates), ainda lhe dá outro destaque e foto, duas páginas depois, por ter declarado, na mesma ocasião da primeira notícia, que "está muito preocupado com os efeitos da crise nos Açores" (a tal crise que Carlos César, há um ano atrás, dizia que não chegaria até cá).
Mas se pensavam que o assunto estava esgotado, desenganem-se! O Açoriano Oriental ainda conseguiu colocar mais uma notícia, ainda da mesma ocasião, com a declaração do Presidente do Governo Regional em reacção a um conjunto de propostas apresentadas pelo PSD, na sua última página.
A triste figura do que já foi a referência da imprensa açoriana dá-nos a devida dimensão de onde chegam os tentáculos do poder socialista e, sobretudo, dão-nos a imagem de quem vende toda a dignidade profissional para se mostrar um bom e fiel aluno perante quem manda: César! César! César!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
90% cacete
Leio na edição impressa do AO que a SATA aumentou em dezenas de euros as suas tarifas.Ou seja, tornam-se mais baratos 10% dos lugares enquanto se encarecem os restantes 90%. Está visto o alcance e significado real da bandeira histórica de Carlos César em relação ao preço das viagens aéreas. Com a SATA é assim: 10% de cenoura, 90% de cacete!
verde é crime
PCP quer criminalizar os falsos recibos verdesO PCP anunciou que irá apresentar uma proposta para tornar crime a utilização de recibos verdes para suprir necessidades permanentes do serviço.
A proposta tem, desde logo, duas vantagens: por um lado secundariza-se a questão da queixa do trabalhador, que deixa de ser necessária e, por outro, inverte-se o ónus da prova, passando a caber ao empregador provar que a necessidade daquele trabalhador não é permanente. Ainda, prevê que os falsos recibos verdes sejam automaticamente convertidos em contratos de trabalho, sem necessidade de intervenção do tribunal.
Desde que surgiram, há anos atrás, o regime de prestação de serviços sempre serviu, sobretudo, para permitir todo o tipo de abusos e exploração sobre quem trabalha. Não se nega que existem profissões altamente qualificadas nas quais este regime é útil e apropriado. Mas a realidade é que a maior parte dos trabalhadores neste regime, pelo contrário, exercem profissões de baixa qualificação (vejam-se sectores como o comércio, limpezas, construção, call-centers) e onde o seu posto de trabalho é, de facto, permanente. É mais do que tempo de acabar com esta exploração em tranquila impunidade.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
a boca de cena e o pano de fundo
Em meados de Janeiro, no salão nobre da Câmara de Ponta Delgada, após um encontro de hora e meia, Carlos César e Berta Cabral fumaram, para o público, um cachimbo de paz. Diziam ambos: “O nosso relacionamento institucional é óptimo”; “apreciamo-nos mutuamente”; “temos muitas coincidências”; “somos capazes de trabalhar em conjunto” porque “primeiro estão as populações!”Precisamente um mês depois Berta Cabral, após uma reunião da comissão política do seu partido, diz que não revela as boas propostas que o PSD tem para os Açores, para o PS não se aproveitar delas e aplicá-las. Segundo a dirigente do PSD portanto, para o PS continuar a fazer borrada…
Em resposta institucional, enquanto procedia à entrega de habitações na Ribeira Grande, o Presidente do Governo foi dizendo que ele é que sabe como se entregam habitações sociais, e que outros, referindo-se à líder do PSD, só o sabem fazer com muita pompa e circunstância à mistura, isto é, só sabem fazer borrada…
Achincalhamento mútuo, para o público, portanto!
Em que ficamos afinal? As verdades de Janeiro são mentiras de Fevereiro, ou vice-versa? Ou esconder de um as boas soluções, e fazer inaugurações melhor que o outro, significa “trabalhar em conjunto” porque “primeiro estão as populações”?
Atrás desta boca de cena (que, de tão pobre e repetitiva, se vai tornando enfastiante), nesses mesmos dias, em pano de fundo e a aguardar efectivamente boas soluções, passavam os aumentos do pão; mais dois ou três aumentos sucessivos dos combustíveis, e as contas publicamente apresentadas de 31,5 mil famílias açorianas a terem de viver com menos de 540 euros por mês…
Na República, esquecendo-se que 4 dias antes, para Francisco Louçã-1, isso era um frete à direita, Francisco Louçã-2 diz que vai apresentar uma moção de censura. Ninguém sabe qual dos dois fala verdade, mas o que é certo é que Francisco Louçã-3 está a rogar pelas alminhas (e tudo fará por isso) para que a moção seja chumbada…O PSD, pelo seu lado, maugrado a ansiedade e a esperança de receber o testemunho de Sócrates, parece estar na dúvida. É que a aliança espúria do BE/PS, para apoiar Manuel Alegre, será agora do BE/PSD, caso este último apoie a moção do primeiro. Muito provavelmente, a conselho avisado das agências financeiras internacionais e da Comissão Barroso, depois da criação de uns momentos de suspense para suscitar ciúmes ao PS, manter-se-á o casamento oficial de Passos Coelho com as políticas do actual Governo…a bem da Nação!
Neste outro palco, em pano de fundo, regista-se entretanto que Oliveira e Costa lucrou 9 milhões de euros num só dia; o lucro da Galp Energia aumentou 43%, em 2010; o lucro médio dos 4 maiores bancos sedeados em Portugal, apurado no mesmo ano, foi de 3,9 milhões de euros por dia (pagando sobre eles menos 55% de impostos que em 2009), enquanto o desemprego ultrapassa os 11%…
Ou seja, enquanto os actuais detentores do poder político, de forma irresponsável face à realidade que ajudaram a construir, cuidam atrapalhadamente de si e da sua carreira, o poder económico, vai cuidando sistematicamente de nós e das carreiras dos nossos filhos… num país de tal forma assim tornado “culto”, onde até para ser escravo se tornou necessário estudar.
Mário Abrantes
sábado, 12 de fevereiro de 2011
a moçãozinha
Manuel Queiroz, do Jornal I, não é das pessoas com que costumo concordar. Definitivamente. No entanto, a sua análise sobre a moção de censura do Bloco de Esquerda dificilmente poderia ser mais acertada.Tem razão quando aponta a óbvia contradição entre considerar que não faz sentido nenhum uma moção de censura (supostamente do PCP) e afirmar peremptoriamente que não farão o favor à direita numa semana, para na semana seguinte apresentar uma moção de censura própria. O que Jerónimo de Sousa afirmou foi que "A moção de censura é um instrumento constitucional de que não prescindimos, sem que façamos dele o alfa e o ómega da solução dos problemas nacionais." E foi o suficiente para que começassem a soar os alarmes na sede do BE e para que a preocupação precipitada de uma suposta "ultrapassagem" tomasse o lugar de toda a inteligência.
Tem razão quando diz que "O BE esteve três ou quatro meses calado sobre o governo, por causa da campanha eleitoral presidencial, e agora quer recuperar o terreno perdido à esquerda." O erro da precipitação no apoio a Alegre (que fez mais mal que bem, diga-se) teve um custo elevado para o BE.
Tem razão quando diz que o BE é movido pelo populismo que lhe permitiu tornar-se numa eficiente máquina eleitoral e, acrescento eu, gerida pelos impulsos mais ou menos ponderados (ou, como neste acaso, absolutamente imponderados) do reduzido directório de cabeças supostamente iluminadas que o conduzem, quantas vezes ao arrepio da vontade dos seus próprios militantes.
Tem toda a razão quando diz que o BE estará eventualmente a avaliar votar contra a sua própria moção. Porque esta, afinal, não passa de uma censurazinha que Portas e Passos Coelho não deixarão de aproveitar.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
As opiniões que quem despede
Fernando Ulrich afirmou numa entrevista ao “Expresso” que “despedir devia ser mais fácil e mais caro”. Afirma-o, desta forma, com a ligeireza de quem sabe que o principal obstáculo ao despedimento são as despesas que comporta. E arrisco dizer que nem sequer concorda inteiramente com a sua proposta...O presidente do BPI – banco que continuou a aumentar os seus lucros em 2010, apesar da crise – segue uma estratégia velha para baralhar e confundir as recentes discussões em torno dos despedimentos. Sabendo que não há risco do Governo encarecer os despedimentos, afirma que estem devem ser mais fáceis (que creio poder afirmar, é recusado esmagadoramente pelo povo Português) e mais caros.
Ulrich conhece bem este Governo. Sabe bem que, ao assim falar, não corre riscos de ter de pagar mais de cada vez que despedir um trabalhador. Aliás, se é esta a sua opinião, pode-se perguntar: será que cada despedimento que faz, este presidente de salário chorudo dá mais qualquer coisinha para além do que a lei obriga? Terá ele esta generosidade para com os trabalhadores que despede, e que são quem na prática dão lucro ao banco?
Os despedimentos, em Portugal, têm sido facilitados pelas revisões da legislação e têm aumentado anualmente. É, aliás, uma das principais causas da crise social e económica que passamos.
A única razão válida para um despedimento é o incumprimento dos deveres por parte do trabalhador. Tudo o que for para além disto é considerar o Ser Humano como um “produto” descartável, algo que podemos deitar fora depois de já não ser preciso. É esta a lógica do capitalismo, é esta a lógica do sr. Ulrich, é esta a lógica do Governo.
Seguindo o exemplo deste senhor, faço uma outra proposta, com a qual não concordo, e que sei que não corre riscos de ser aceite: cada trabalhador que seja despedido deve receber nesse momento a diferença entre o salário que foi recebendo ao longo dos anos de trabalho e o lucro que deu a ganhar ao seu patrão. Parece mais justo. Provavelmente, duplica os salários que recebeu ao longo da sua vida.
Não concordo com esta proposta porque não acho que as pessoas possam ser de um momento para o outro desconsideradas. Conheço os efeitos que tem em quem se dedicou ao seu trabalho, perdê-lo. Mas esta minha proposta, talvez mais justa e honesta, não deve acolher a boa opinião do presidente do BPI.
elefantes no green
Leio na edição impressa do AO que o Governo Regional vai continuar a segurar a Verdegolf da falência.Na prática, o Governo assegura o funcionamento dos campos, paga aos trabalhadores, suporta as despesas e a Verdegolf (que mantém a propriedade) fica a dever os prejuízos que houver (que os há sempre), para pagar não se sabe bem quando.
A questão que se me coloca é para quê manter este estranhíssmo sistema. Se se acha que é importantíssimo termos mais estes dois campos em São Miguel (do que discordo) porque não pura e simplesmente adquiri-los e pronto? Que esquisitos e enredados são estes negócios do golfe...
Esta "bandeira política" do Governo está a sair-nos muito cara e sem qualquer utilidade. Comparem-se os números da turismo golfista com o investimento que a Região fez e vai fazer em campos de golfe para termos a exacta medida de quanto custa manter estes elefantes no "green".
sábado, 5 de fevereiro de 2011
o lado negro da Parque Escolar
Li aqui um artigo que me fez perceber todo o alcance da fabulosa renovação do parque escolar levada a cabo por José Sócrates.Afinal, e ao contrário do que julgava, a empresa Parque Escolar EPE, não serve só para gerir, projectos, orçamentos e empreitadas de renovação de escolas, mas e sobretudo, para passar a cobrar rendas milionárias a essas mesmas escolas pela utilização das suas próprias instalações! Prevê-se que a Parque Escolar tenha um encaixe de 50 milhões de euros em 2011 e que esse valor triplique ao longo dos próximos 3 anos, à medida que mais escolas passem para a sua alçada.
Pode-se argumentar que, afinal, é apenas o estado a pagar ao estado. Mas, importa lembrar que o que a Parque Escolar cobra às escolas é sobretudo para fazer face à parte das suas despesas que não são cobertas nem pelo Orçamento de Estado nem por fundos europeus. E de onde vem essa parte? Do endividamento bancário! E, segundo a FENPROF, a Parque Escolar já deve cerca de 1500 milhões de euros. E, claro serão as escolas, seremos a nós a pagá-los e aos respectivos juros.
As promessas eleitorais de José Sócrates continuam a sair-nos caras. Mas o mais preocupante é a porta que deixam aberta (direi escancarada) à privatização da base física da nossa escola pública. É assustador o que um partido que se diz de esquerda consegue fazer no Governo!
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
para que serve a UGT?
Através do Flamingo A UGT continua a confundir responsabilidade com subserviência. Não tendo, ao contrário da CGTP, uma visão do que deve ser o desenvolvimento equilibrado do país (e basta ler os documentos dos congressos das centrais para perceber a diferença), a UGT remete-se sempre à negociação "sectorial", desligada do conjunto das diferentes realidades que afectam os trabalhadores. Essa falta de visão reivindicativa de conjunto leva-a de capitulação em capitulação, a tornar-se cada vez mais o parceiro do patronato, em vez de ser a defensora dos trabalhadores.
Depois, sem querer fazer processos de intenções, a composição do Secretariado Nacional torna impossível não pensar em, aqui sim, instrumentalização partidária pura e dura. Assim, para que serve a UGT?
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Misr (actualizado)
A situação no Egipto mostra-nos o retrato de um país dividido. Em duas margens opostas e distintas, tal como a sua própria geografia, em torno do rio Nilo.De um lado, os que nada mais têm a perder, senão a opressão de um regime velho, corrupto e que facilmente vende esses mesmos interesses nacionais que tão assoberbadamente diz defender.
Na outra margem os que hesitam, os que temem a mudança radical, num país onde elas aparentemente não existem há mais de trinta anos.
Mas a verdade é que o conflito e a divisão entre os egípcios sobre o destino a dar à herança de Nasser e sobre as formas de prosseguir (ou não) os objectivos da revolução egípcia, há muito que lá está. Essa divisão estava lá no assassinato de Saddat, essa divisão estava lá nos protestos contra a aliança com Israel e os EUA, essa divisão está lá, muito nítida, muito real, no desmesurado crescimento da influência da Irmandade Muçulmana, principal partido (não legalmente reconhecido) da oposição.
A chocante desigualdade, entre as escalas mais baixas e mais altas da sociedade, mostraram-me, em primeira-mão há uns anos atrás, o quão longe se estava da visão de equilíbrio, igualdade e desenvolvimento dos tempos de Nasser.
Essa divisão, tornou-se algo muito mais profundo do que um fosso de opinião. "No Egipto, em 1991 foi imposto um devastador programa do FMI na altura da Guerra do Golfo. Ele foi negociado em troca da anulação da multimilionária dívida militar do Egipto para com os EUA bem como da sua participação na guerra. A resultante desregulamentação dos preços dos alimentos, a privatização geral e medidas de austeridade maciças levaram ao empobrecimento da população egípcia e à desestabilização da sua economia. O Egipto era louvado como uma “aluno modelo” do FMI." Estamos também perante um país que entrou em ruptura social, fruto das imposições aceites por uma elite política que era a única beneficiária da "ajuda" externa.
Os apelos das potências ocidentais a uma "transição pacífica", não passam da hipocrisia dos que procuram alguém, algum actor político, que possa continuar a levar a cabo, mais eficientemente, a mesma política. Por isso, esta revolução terá de proceder a profundas transformações sociais e políticas se não quiser correr o risco de mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. Vêm nesse sentido as reivindicações do Partido Comunista Egípcio.
Num momento em que se fala tanto, em Portugal, da entrada do FMI na nossa economia, o Egipto, salvas as devidas distâncias, é pelo menos um exemplo para nos fazer pensar.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
esvaziar o parlamento
Ao contrário do que esperava, começa mesmo muito mal o mandato da nova Secretária Regional da Educação.Ao aprovar na 2ª feira o que recusou discutir no Parlamento na 6ª feira anterior, Cláudia Cardoso deu o tom do que vai continuar a ser a actuação do Governo: Posso. Quero. Mando.
Por mais que o Governo o tente esconder, a pressão dos sindicatos, a proposta de Resolução do PCP e a ameaça não concretizada de debate de urgência do PPM iam conduzir a nova secretária a um beco sem saída, logo na entrada das suas funções.
No entanto, ainda resta saber até onde é que a SREF pretende dobrar a letra da lei, reduzindo as vagas a concurso para poupar mais uns tostões à custa da educação. São, por isso, completamente disparatadas as declarações de vitória do PPM. Risíveis, no mínimo.
Também a nomeação de Graça Teixeira para Directora Regional da Educação vai deixar na bancada socialista um deserto profundo em termos de matérias relacionadas com a educação. Não surpreende. Pois é claro que para o PS, não é o Parlamento que interessa.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
o ponto e o nó
Parece que, afinal, o negócio com os estaleiros de Peniche para reanimar os estaleiros da Madalena do Pico sempre estava dependente da adjudicação dos novos navios para o triânguloNada de novo. É uma postura habitual de muitas empresas no seu relacionamento com o Estado. Se, por um lado, o Governo Regional foi pressionado para aceder a este negócio e recusou, fez muito bem, pois não tem nada de pactuar com o que é potencialmente uma fraude séria. Mas se, por outro lado, deu a entender aos estaleiros que esse entendimento seria possível, por forma a conseguir "mostrar serviço" em termos de captação de investimento para a Região, então, estamos perante uma actuação extremamente grave que põe em causa a sobrevivência política de Vasco Cordeiro.
Esclarecimentos sobre esta matéria duvido que venhamos a ter. O que resta, afinal, é mais uma perda para os Açores e para o país: nem se retoma na Região a construção e reparação naval, nem os nossos novos navios serão construidos por estaleiros portugueses. Outro resultado seria difícil num país onde nem empresas nem governantes dão qualquer ponto sem nó.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
eles não sabem ganhar
Uma vitória presidencial quase inevitável e historicamente rotineira, servida por um lastimável e repugnante discurso de encerramento da parte do vencedor. Logo de seguida, acobertadas pela vitória, acotovelavam-se entre si, para assomar primeiro, uma série de temáticas impacientes, temporariamente obrigadas ao silêncio para não assustarem os eleitores ou escangalhar declarações hipócritas de campanha:- A ânsia do capital financeiro, com Sócrates e o seu governo como cozinheiros de serviço, para alterar as leis laborais portuguesas com vista a cortar nas indemnizações aos despedidos, para facilitar despedimentos e aumentar a precariedade do trabalho;
- As taxas de juro da dívida em alta, e a ânsia do FMI mais a Alemanha para anunciar que a situação dos países periféricos da UE não se encontra resolvida e pode necessitar de intervenção externa;
- A entrevista, encomendada por voz avisada, ao Presidente do Banco Espírito Santo (cada vez assumem com menos vergonha o controlo político das operações) para este prevenir os poderes públicos da necessidade de se ir mais longe na flexibilização do emprego.
Cavaco não ganhou nada que não esperasse. Simplesmente, em lugar de, justamente com os resultados eleitorais, proclamar também aos portugueses, vítimas da crise e do desemprego, as prometidas opções claras e saídas para o futuro, serviu-se antes da (magra) vitória da reeleição para, fazendo uso do seu messianismo pacóvio e abusando da confiança de um povo maioritariamente descrente e abstencionista, zurzir nos adversários e investir-se de autorização prévia pública para as suas obscuras e inconfessadas opções de futuro com vista a “conduzir” o país, de cheque em branco na algibeira, a uma qualquer solução governativa consentânea com elas.
Em Ponta Delgada (em cujo concelho apenas 15% dos eleitores votaram no vencedor), exibindo uma indisfarçável irritação perante quem salientava o facto de os açorianos se terem massivamente abstido de votar Cavaco, a sua mandatária cuidou apenas de proclamar pela enésima vez quem era o campeão da Autonomia. Enquanto isso, a líder do PSD num raciocínio espantoso e preocupante, invocava possíveis retaliações presidenciais sobre os Açores pelo facto de o partido do Governo se ter oposto à candidatura vencedora, e tomava logo de seguida abusivamente de empréstimo a vitória de Cavaco, travestindo-a na sua e na do seu partido, esquecendo-se até, com a euforia, que ao seu lado (supostamente para partilhar os louros) tinha um dirigente do CDS perfeitamente “encavacado” com a circunstância…
Mas se apenas 15 em cada 100 eleitores açorianos votaram na reeleição de Cavaco, mais amarga foi ainda a vitória na Madeira. Nesta Região o candidato-presidente não logrou alcançar a maioria absoluta sobre os restantes, ficando-lhe imediatamente à perna a candidatura “out-sider” de José Manuel Coelho. A resposta de Jardim, enquanto vencedor, foi um desastre: Destilando despeito pesporrento pelo adversário e pelos muitos madeirenses que ousaram afrontar com tal dimensão eleitoral activa o sistema jardinista instalado há décadas, chamou-lhes “coelhada”, “criatura”, “extrema-direita” e mais não sei o quê. Quanto ao futuro, tal como os restantes ganhadores, disse nada!
Com ganhadores destes, provavelmente mais produtivo se torna ao país, querendo ousar prosseguir e vencer dificuldades, buscar méritos junto de quem perdeu, não será assim?
