terça-feira, 29 de novembro de 2011

a cobardia indigna-me

Os hackers que invadiram os computadores do MAI e divulgaram os dados pessoais de cerca de uma centena de agentes da PSP são um bando de cobardes sem escrúpulos, que não se importam de pôr em risco a segurança destes agentes, que provavelmente nada tiveram a ver com  violência policial e das suas famílias. O radicalismo serôdio não esconde a atitude cobardolas de quem se esconde por trás duma causa para dar largas aos seus instintos vingativos, anonimamente, pois claro!

Esta ação objectivamente só pode interessar a quem está do lado do Governo e pretende desacreditar os manifestantes, com uma provocação reles e inaceitável. Espero que sejam encontrados, presos e durante muito tempo!

sábado, 26 de novembro de 2011

em benefício do erro

O Orçamento de Estado afinal continha um erro no cálculo das transferências para as Regiões Autónomas que supostamente beneficiava os Açores em prejuízo da Madeira. A sua correção implicará a redução das verbas que iremos receber. Pode estar assim em causa todo o Plano e Orçamento, que já foi apresentado pelo Governo na Assembleia Regional, onde deverá ser debatido na semana que vem.

A maioria PSD/CDS-PP assumiu também mais um erro e recuou na proibição de contratações de funcionários pelos Governos Regionais sem autorização do Ministério das Finanças, um dos atropelos mais grosseiros à nossa Autonomia.

Ficam ainda por corrigir muitos outros, que podem ainda levar a que o OE acabe por ser declarado inconstitucional. Desde logo, a solução de pôr a Região a pagar a participação de 5% no IRS que cabe às Autarquias Locais, ou, de forma ainda mais grave, o de criar uma tributação discriminatória, ao aplicar o corte nos subsídios apenas aos trabalhadores da função pública, por exemplo.

Todos estes enganos demonstram não só a pressa selvática de cortar a todo o custo, como a atitude completamente negligente em relação ao cumprimento da Constituição ou ao respeito pelas Autonomias que, na cabeça dos tecnocratas do Governo, não passam de departamentos subalternos a quem é preciso cortar mais uns cobres.

Em nome dos sacrifícios para pagar a dívida que nos foi imposta, este Governo não deixa pedra sobre pedra: Constituição, Estatuto Autonómico, Lei das Finanças Regionais e Locais, não passam de papéis velhos e amarrotados de cada vez que se invoca a necessidade cumprir as metas do défice.

Os equívocos, erros e esquecimentos em que este Governo tem sido fértil fazem parte de um engano muito mais profundo, e que está na sua própria raiz ideológica: o de pensar que a sua legitimidade vem de cumprir a vontade dos credores e não do povo que o elegeu. Governará, por isso, sempre em benefício do seu próprio erro.

Artigo publicado no Diário Insular 
26 Nov 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

pior é impossível

Os números do desemprego revelados esta semana pelo INE são, também para os Açores, os piores possíveis.

Atingimos o assustador recorde 700 mil desempregados oficiais mas, se lhe juntarmos todas as situações de subemprego visível, trabalho ocasional e trabalho ilegal, o número deve andar perto de 1 milhão de pessoas a nível nacional. Desossando os números: aumento do desemprego feminino face ao masculino, cavando o fosso de uma desigualdade antiga; aumento do desemprego entre os jovens que ainda não seguiram o conselho do Secretário de Estado da Juventude e abandonaram o país; aumento do desemprego entre os que têm mais qualificações.

Nos Açores, a situação não é melhor: mais de 14 mil desempregados, representando uma taxa de 11,6%. E, se levarmos em linha de conta que estes dados dizem respeito a Julho, Agosto e Setembro, meses em que as actividades do turismo sempre dão alguma animação ao mercado de trabalho, não é difícil prever que o último trimestre deste ano vai ser ainda pior.

Não compreendo o triunfalismo do Governo Regional, que está sempre a recordar-nos que continuamos a ser a segunda Região com a taxa de desemprego mais baixa do país, até porque enquanto a média nacional aumentou 0,3%, a dos Açores aumentou 1,9%, nada mais, nada menos do que 6 vezes mais!

Estamos habituados a que as crises nacionais nos cheguem mais tarde e algo suavizadas pela distância. Desta vez não é definitivamente assim. O facto de o desemprego aumentar seis vezes mais depressa nos Açores do que no Continente devia fazer-nos abrir os olhos e ver que algo vai muito mal na forma como o nosso arquipélago tem sido governado. Sobretudo mostra claramente que os Açores estão mais desprotegidos e vulneráveis a esta recessão. Assim, as soluções de mais do mesmo só servem para piorar a situação.

Um dado interessante é o de que, nos Açores, o número de empregos no sector primário (agricultura e pescas) aumentaram 8,6% enquanto os dos sectores da indústria e serviços caíram 6,7% e 2,0%. É o próprio comportamento da economia que nos indica o rumo a seguir.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

pobre Belmiro


É interessante ver que a Sonae vive próspera e tranquila com uma dívida tremenda, no valor de 2958 milhões de Euros! O que nos dá uma medida do grau de endividamento privado das nossas grandes empresas. Afinal é o Estado que está endividado?

bye bye base

Declarações recentes do Secretário Norte-americano da Marinha colocaram na ordem do dia, ainda que de forma não definitiva, a possibilidade de os Estados Unidos abandonarem completamente a Base das Lajes. Um facto que, a concretizar-se, de forma abrupta e total, trará um conjunto gravíssimo de problemas para os Açores e para a Terceira.

Importa lembrar que a presença americana na Base das Lajes manteve-se todos estes anos também devido às facilidades, benesses e estatuto especial que o Estado Português sempre lhes concedeu.

Os EUA, pelo seu lado, há muito deixaram de pagar qualquer compensação financeira direta à Região que utilizam, do ponto de vista açoriano, gratuitamente. Criaram um gravíssimo problema ambiental na Praia da Vitória, que tentaram negar enquanto puderam e no qual só agora, contrariadamente, se coresponsabilizam.

Os empregos diretos criados pela Base, embora ainda importantes, têm vindo a ser gradualmente reduzidos e o nível da conflitualidade laboral é elevado. Continua a existir – e não pode ser esquecida – uma dívida substancial para com os trabalhadores pela não aplicação do inquérito salarial.

Ainda recentemente o Acordo da Base foi revisto, tendo o Estado Português, subservientemente, cedido em todos os pontos às reivindicações americanas. Aliás, estas negociações foram precedidas de promessas (como o campo de treino de caças) e ameaças de maiores reduções de postos de trabalho, por parte de responsáveis norte-americanos. Será que estas declarações do Secretário da Marinha indiciam a vontade de obter mais vantagens ainda?

A sua longa presença criou uma relação que não é só histórica e afetiva, mas também económica. Condicionou, em boa parte, todo o modelo de desenvolvimento da ilha Terceira, criando uma efetiva dependência das atividades ligadas à Base. Não é admissível que, depois de décadas de utilização dos recursos e mão-de-obra açoriana, pouco ou quase nada deixando em troca no arquipélago, os americanos se limitem a fechar a porta e a atirar um seco “bye-bye!” do cockpit dos seus aviões.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

lições das Espanhas


Tal como sucedeu a José Sócrates em Portugal, Zapatero, seguiu em Espanha uma política basicamente de direita-liberal, ainda que com uma roupagem de esquerda moderada, progressista nos temas fracturantes, mas reaccionária nos direitos sociais e laborais. A decepção dos eleitores com esta "esquerda" fê-los, naturalmente, virar à direita pura e dura. Os PS's de Espanha e Portugal pagam o preço do abandono das suas origens e programa ideológicos.Os povos de Espanha pagarão, por sua vez, o custo de um governo claramente reaccionário do PP.

Três notas ainda para o crescimento da Izquierda Unida, para a manutenção dos dois deputados do Bloque Nacionalista Galego e para a vitória da coligação da esquerda independentista basca, que beneficiou claramente do desarmamento da ETA. A paz foi uma boa opção, também no campo eleitoral. E Espanha continuará a ter um Parlamento com muitas Espanhas. E ainda bem.

sábado, 19 de novembro de 2011

Quando o Inimigo acerta



Ás vezes mais do que piada, o Inimigo Público tem sabedoria.

a Olga é um ser humano


Ao ler a bela reportagem do Paulo Moura no Público de hoje sobre a situação social da Grécia, lembrei-me do artigo 23º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que transcrevo:


Todos nós conhecemos, também por cá, muitas Olgas e outros seres humanos que se vêem privados do factor mais básico para a realização pessoal e social. As políticas de ruína e austeridade que querem impor aos nossos países põem em causa muito mais do que a prosperidade ou a estabilidade económica. Assistimos a uma tentativa de destruição dos nossos direitos humanos e, nomeadamente, do mais básico e fundamental de todos eles: o direito a ser feliz. O que este Governo e esta UE estão a fazer aos europeus é, a todos os títulos, um crime contra a humanidade.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

e não se pode exterminá-la?

A dívida do serviço regional de saúde atingiu o valor preocupante de 635 milhões de Euros. E a tentativa de minimização do Secretário Regional da Saúde e a sua argumentação de que são “só” 597 milhões e não 635 não nos deixam mais descansados. Aliás, as habituais guerrinhas de números entre Governo Regional e PSD servem como distracção noticiosa, mas pouco acrescentam ou retiram à realidade dos factos.

E os factos são graves. Não só pelo tamanho deste problema financeiro – de que não é certo que conheçamos toda a dimensão – como também pelo que pode implicar em termos de dificuldades futuras para os projectos em curso, como a ampliação do Hospital da Horta, por exemplo.

Entendo que é natural que exista um défice num sector que, pela sua natureza de serviço público essencial, não pode nem deve ser lucrativo. Ainda mais assim nos Açores, em que a nossa condição insular torna necessária a existência de mais profissionais, serviços e equipamentos, como também obriga, forçosamente, à deslocação de doentes para consultas e tratamentos especializados. Tudo isto, como é fácil de perceber, tem um custo elevado.

Entendo também que há problemas cuja raiz não está nos Açores. Quando nos anos noventa o então Primeiro-Ministro Cavaco Silva, limitou o acesso ao Ensino Superior, pela instituição dos chamados “numerus clausus”, reduzindo dramaticamente o número de alunos das faculdades de medicina, decretou a crónica falta de médicos com que Portugal atualmente se debate, ao mesmo tempo que empurrou para o estrangeiro os nossos melhores alunos. (Mais uma que os Açores têm para agradecer a Cavaco Silva…) É essa carência de profissionais que faz com que agora o peso das suas remunerações se torne esmagador. E soluções imediatas para isto, quem as tem?

Mas o problema é que não pagamos apenas os custos de estrutura do nosso Serviço Regional de Saúde, mas também o preço das políticas que lhe têm sido aplicadas. A crença cega na gestão de tipo empresarial como o método capaz de resolver todos os problemas, incluindo o de fazer omeletes sem ovos, bem à moda neoliberal, levou o nosso Governo Regional a criar, há alguns anos atrás, uma sociedade anónima de capitais públicos para resolver os problemas financeiros do Serviço Regional de Saúde: a Saudaçor.

Esta sociedade, criada no espírito da Lei de Bases da Saúde então em vigor, pretendia “combater o desperdício”, “agilizar, desburocratizar, mobilizar, gerir, inovar e facilitar a renovação” do Serviço Regional de Saúde, através de uma separação clara entre as funções de gestor/financiador (a Saudaçor) e prestador de cuidados de saúde (as unidades de saúde). Ao mesmo tempo, assumiu também a função de “central de compras” fornecendo equipamentos, medicamentos e outros materiais às unidades de saúde.

Na prática, veio retirar responsabilidades às direções dos hospitais e unidades de saúde, no que diz respeito à gestão dos seus orçamentos e no acompanhamento de obras nas suas infraestruturas. Concentrando poderes, acabou por afastar o centro de decisão para mais longe do utente e dos profissionais de saúde. Começou, logo, e ao contrário do que se propunha, a burocratizar as decisões, que passaram a ser tomadas por tecnocratas anónimos e longínquos, tantas vezes sem nenhum conhecimento da realidade concreta de cada uma das unidades de saúde que gerem.

Verificamos agora que, afinal, a Saudaçor não atingiu nem uma das finalidades a que se propunha. Não tornou a gestão da saúde mais eficiente. Não agilizou as aquisições nem melhorou o fornecimento de materiais e equipamentos às unidades do sistema. Não trouxe nem as poupanças nem os resultados prometidos em termos da construção e conservação das unidades de saúde. A Saudaçor SA não conseguiu cumprir nenhum destes objetivos.

Mas, os objetivos, nunca assumidos, de esconder o buraco financeiro, retirando do Orçamento Regional a despesa e a dívida, o objetivo de criar cargos de administração e direção para distribuir pela clientela política, de subjugar a autonomia das unidades de saúde, esses, sim, a Saudaçor cumpriu com mérito enquanto pôde.

Agora que finalmente já não serve para nada, resta perguntar: para que continuamos a arrastar este monstro de despesa pendurado no orçamento regional?

Artigo publicado no jornal Incentivo
18 Nov. 2011


E no Diário Insular
19 Nov 2011

diálogo de mão estendida

No Público de hoje, lá vem mais uma apoiante socialista dizer redondices vazias sobre o Orçamento de Estado.

Desta vez é Glória Rebelo, professora universitária da Lusófona que nos vem eruditamente falar sobre as virtudes do diálogo e da construção de equilíbrios na democracia.

Por trás das suas palavras é claramente visível o desespero do PS que se entregou nas mãos do PSD, dependendo agora da boa vontade do partido do governo para lhe aprovar alguma medidazita para justificar a abstenção. Na sua forma prolixa, trata-se de mais um apelo emocional de amante rejeitado: "vá lá, dialoguem connosco, dêem-nos qualquer coisinha..." O nível político do PS está interessantemente a bater no fundo!

não nos vamos embora

Apesar do despejo de Zuccotti Park, ordenado pelo Mayor de Nova Iorque há poucos dias atrás, o movimento Occupy Wall Street continua vivo e mobilizador. A prová-lo, as muitas dezenas de milhares de pessoas que ontem participaram em várias acções não-violentas por toda a cidade, incluindo num efectivo bloqueio dos acessos à bolsa de Nova Iorque.

A capacidade de sobreviver ao fim do acampamento foi uma prova de fogo para o movimento Occupy. As autoridades americanas (e não só) tinham a esperança de que o fim da ocupação esvaziasse o protesto. Mas os 99%, em vez de desmobilizar, avançaram com enormes manifestações que demonstram que estamos perante um algo muito mais sólido do que um grupo de jovens que ocupou um espaço público. Tiveram a maturidade e a sabedoria de distinguir o acessório do essencial, entendendo que esta é uma luta longa e não confundiram uma táctica (acampar), com o objectivo final da luta. Esse objectivo continua claro e bem presente.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

portugal competitivo


chumbem vocês


Mas, depois lembrei-me que esta ex-voluntária de Sócrates 2011 e constitucionalista (de profissão?) apesar de achar, e bem, que o OE é inconstitucional, não vai, afinal, votar contra ele. Torna-se ridículo lançar apelos lancinantes de defesa da constituição para depois se limitar a apresentar uma declaração de voto e escrever mil caracteres numa coluna. Para IM, apesar de ser deputada independente, a boa e velha disciplina partidária vale muito mais do que as bonitas palavras impressas no papel de jornal. Será que isto é que é a tal abstenção violenta?

descabelado


Acabar com o Dia do Trabalhador é uma opinião estranha vindo de alguém que foi militante (arrependido, claro) do PCP, que esteve em Paris no Maio de 68 e que, com Pacheco Pereira, fundou o clube da esquerda liberal. Afinal esta esquerda toda cheira mesmo é a fascismo descabelado!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

infelizmente campeões

Temos a duvidosa honra de sermos a Região do país onde o desemprego (oficial) mais cresceu no 3º trimestre de 2011. Haverá ainda quem acredite que os erros da política de Carlos César não têm nada a ver com o facto de o desemprego nos Açores aumentar 6 vezes mais do que a média nacional?

o porta-voz


Ao pôr-se em bicos de pés para nos tentar levar a crer que foi a sua influência pessoal que resolveu o problema, Artur Lima revela que apesar de ser deputado nos Açores é, na verdade, representante do Governo de Lisboa. Esta, aliás, vai ser a dança difícil dos líderes do CDS e do PSD Açores daqui até às eleições de Outubro próximo.

Mas só em part-time. Porque quando se tratar, por exemplo, de explicar o corte de 17% nas prestações sociais aos muitos açorianos que delas dependem, aí, aposto que Artur Lima já vai dizer que lamenta muito e que não tem nada a ver com isso.

madeira


Este exemplo da Madeira está já a servir ao Governo PSD/CDS-PP para atacar o Regime Autonómico enquanto tal, consequentemente prejudicando também os Açores. Procura-se passar uma imagem de irresponsabilidade e menoridade política das regiões Autónomas, passando à margem do verdadeiro problema.

As maiorias absolutas, com pouco ou nenhum escrutínio público, especialmente se acompanhadas com o despotismo e arrogância de Alberto João e a mal disfarçada conivência de sucessivos governos da República só podiam dar nisto. Até porque, nas Regiões como na República, o objetivo principal das forças que estão no poder é o de se manterem no poder. Daí que o que interessa são os grandes projetos e as obras vistosas, – uteis ou não, quanto mais faraónicas melhor! – para dar um ar sucesso a uma governação. E quem vier atrás que feche a porta!

Carlos César e os seus governos não são imunes a esta tendência, pelo contrário. Basta olhar para as Portas do Mar e a sua imensa derrapagem, para as SCUT’s (que só este ano nos custarão 22 milhões de euros) ou o futuro Museu de Arte Contemporânea na Ribeira Grande, que entre 2011 e 2012 custará cerca de 14 milhões de euros – todos eles, a propósito, na ilha de São Miguel –, para percebermos que também Carlos César gosta de “obras de regime” e que tem pouca preocupação com o futuro que, afinal, não lhe competirá resolver.

Com estas semelhanças, os Açores são, apesar de tudo, diferentes da Madeira. O facto de termos (agora) uma correlação de forças muito mais plural no Parlamento, torna uma situação destas, senão impossível, pelo menos muito mais difícil, no nosso arquipélago. É justamente a qualidade de uma democracia que a torna mais eficaz.

Artigo publicado no Diário Insular
16/11/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

devidas desculpas




Depois de uns dias de inconstância gráfica, o Política Dura achou um formato que, esperemos, seja mais estável. Feed-back agradece-se.

treme pacheco


Da forma mais natural e óbvia, começa a existir coordenação concreta entre as organizações sindicais e o movimento dos indignados. A comunhão de objectivos obrigaria sempre a uma confluência de esforços e ainda bem que as desconfianças mútuas começam a ser superadas.

Parece que se começam a concretizar os piores receios de Pacheco Pereira. A exigência de mudança ganha corpo, força e organização.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

demolir o governo


Sob o discurso asséptico e tecnocrático, nota-se bem a sanha ideológica de ataque ao serviço público quando é prestado por empresas públicas e, sobretudo, a única motivação, bem expressa em cada linha, em cada frase, em cada parágrafo: cortar na despesa.

Através de um arrazoado confuso, com avaliações inteiramente subjectivas e não fundamentadas sobre uma sinistra "dimensão subjectiva e opinativa no jornalismo", misturadas com a manipulação dos conteúdos informativos pelo poder político, assistimos à destruição sistemática, ponto por ponto, de todo o projecto da RTP e de todos os seus canais. Perpassa clara, em todo o texto, a subtileza de camartelo na demolição dos canais públicos de rádio e televisão.

Em relação aos Açores, a arrogante ignorância é confrangedora. Diz o relatório: "Sobre a RTP Açores e RTP Madeira, consideramos que a sua missão histórica está terminada. Dado que existe, também nas Regiões Autónomas, a tendência do poder político para tornar cativos os canais, recomendamos que se apliquem as mesmas recomendações atrás feitas quanto aos canais nacionais." E chega. Nem mais uma palavra em todo o documento, demonstrando a superficialidade com que estes "peritos" abordaram o relatório que, afinal já traziam escrito pelos ideólogos do PSD.

Com este grau de superficialidade e fundamentalismo ideológico, urgente mesmo é demolir este Governo. Não a RTP.