A votação do Plano
Anual e do Orçamento para 2013 decorreu há uns dias atrás no Parlamento
Regional e, como previsto, trouxe escassas boas notícias para a nossa ilha. Na
proposta inicial do Governo faltavam as verbas, ou mesmo as rubricas, relativas
a uma série de promessas feitas recentemente aos faialenses e, apesar das
declarações de ocasião, parecia claro que a maioria não pretendia alterar nada
de substancial nos documentos que apresentara. Assim foi, infelizmente. E
ninguém ficou muito surpreendido com a disciplina e zelo com que o Grupo
Parlamentar do PS, noite fora, foi chumbando, de forma sistemática e com poucos
comentários, muitas dezenas de propostas das restantes bancadas.
No entanto, já
foi mais estranho ver os Deputados do PS eleitos pelo Faial, Ana Luís e Lúcio
Rodrigues votarem contra um conjunto de projetos que são reconhecidos por todos
os partidos (PS incluído) como sendo essenciais para a nossa ilha, como são: a
requalificação do Farol da Ribeirinha, a construção do novo matadouro, a
criação da tão prometida Escola de Marítimos, o novo Quartel dos Bombeiros do
Faial, o reforço de verbas para garantir o pagamento das Bolsas de Doutoramento
que o actual Secretário Regional da Educação quer cortar (proposta na qual o BE,
estranhamente, resolveu abster-se), a aquisição de um Barco-ambulância para
transporte de doentes entre o Faial e o Pico, a melhoria dos caminhos agrícolas
e o reforço da distribuição de água e energia eléctrica às explorações, o
reforço das verbas das Juntas de Freguesia para a limpeza de ribeiras e a
prevenção de cheias.
Ninguém nega
que os interesses locais têm de ser responsavelmente enquadrados nas
prioridades para a Região, mas a verdade é que os Açores só valem pelo seu
conjunto, o que significa que apenas seremos tão desenvolvidos quanto a menos
desenvolvida das nossas ilhas. Investir no Faial também é defender o interesse
regional. Não se trata aqui da disponibilidade ou não das verbas para estes
investimentos, trata-se de uma questão de opções porque, no fim de contas, os
Deputados do PS eleitos pelo Faial, Ana Luís e Lúcio Rodrigues votaram contra
os projectos que mencionei, mas votaram a favor, por exemplo, de que se
investissem mais 7,3 milhões de Euros num Centro de Arte Contemporânea na Ribeira
Grande (que soma assim já uma despesa de 18 milhões de Euros) e 9 milhões de
Euros num novo parque tecnológico para a ilha de São Miguel e nem sequer
simbolicamente expressaram em público qualquer hesitação ou discordância em
fazê-lo. A obediência à disciplina partidária falou mais alto do que a defesa
do Faial.
Esperava-se que
os Deputados eleitos pelos círculos de ilha fossem vozes ativas na defesa dos
interesses dos eleitores que os elegeram e não se limitassem a aceitar
passivamente que as opções de investimento centralizadoras continuem a
favorecer umas ilhas em desfavor das outras. Lamentavelmente assim não
aconteceu. A legitimidade eleitoral da maioria foi construída com base numa
determinada expectativa que foi criada aos cidadãos. Esta atitude descredibiliza
não só o PS mas, o que é mais grave, o papel dos deputados enquanto efectivos
representantes da população e, de arrasto, a própria política, cavando mais
fundo o fosso de decepção e abstencionismo.
A verdade é que
todas estes projectos que interessam especificamente à nossa ilha e que o PS
rejeitou não foram propostos por Deputados eleitos pelo círculo do Faial, mas
sim por Aníbal Pires, do PCP, eleito pelo círculo regional e que por acaso até
reside em São Miguel, o que demonstra que às vezes mais vale ter “deputados
pela nossa ilha” do que deputados que, sendo da nossa ilha, colocam outras
lealdades e obediências acima daquela que devem aos cidadãos que os elegeram.
Tiago Redondo
www.politica-dura.blogspot.com
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