Em Setembro de
2013 uma das ideias lançadas pela campanha da CDU para as eleições autárquicas
foi a de transformar a Horta num concelho livre de sacos de plástico. Esta
ideia, independentemente dos resultados eleitorais na nossa ilha, teve desenvolvimentos
e consequências a nível regional.
O Parlamento
Regional discutiu em Dezembro passado uma petição promovida pela CDU Santa
Maria que defendia “a erradicação dos sacos de plástico” nas ilhas dos Açores.
Gerou-se, nessa discussão um consenso entre todos os partidos políticos sobre a
vantagem da introdução de uma taxa para reduzir, a curto prazo, a sua
utilização.
Assim, cumprindo
os programas eleitorais da CDU, o Deputado do PCP, Aníbal Pires, apresentou
esta semana no Parlamento Regional uma proposta de Decreto Legislativo Regional
para criar uma Ecotaxa, no valor de cinco cêntimos, sobre cada saco de plástico
disponibilizado gratuitamente nas lojas de comércio a retalho, como forma de
desincentivar o seu consumo. Dito e feito.
Como é sabido,
os plásticos são um resíduo altamente nocivo e tóxico, que demora séculos a
degradar-se. Para além dos combustíveis fosseis utilizados no seu fabrico, a
própria reciclagem do plástico não é, em muitos casos, sustentável devido às
quantidades de energia necessárias à quantidade de gases de estufa libertada
durante esse processo. Apesar de práticos, baratos e facilmente disponíveis,
sendo distribuídos gratuitamente em quase todas as lojas, são um resíduo muito
problemático, em termos ambientais.
Nos oceanos, os
resíduos de plástico têm uma ação ainda mais destrutiva, contaminando a cadeia
alimentar e sendo responsáveis pela morte de uma quantidade incalculável de
peixes, aves e mamíferos marinhos, que o ingerem mas não o conseguem digerir e
absorvendo as suas toxinas. O plástico permanece no mar durante centenas de
anos, como tristemente nos mostra a grande mancha de resíduos de plástico, no
Oceano Pacífico, que se estende já por milhares de quilómetros quadrados.
Uma Região
marinha, como a nossa, tem, neste campo uma responsabilidade acrescida em
termos do combate a este malefício. Por mais esforços que sejam desenvolvidos,
há sempre uma percentagem de sacos de plástico que não podem ser reciclados ou
que são abandonados, acabando por ir parar ao oceano. Assim, a única verdadeira
solução é reduzir o seu consumo.
Por outro lado,
nos Açores os sistemas de recolha, triagem, processamento e exportação para
reciclagem dos resíduos têm custos mais elevados do que no continente, em
virtude da necessidade de manter (pelo menos) um destes sistemas em cada ilha e
pelos custos do transporte dos resíduos para reciclar, o que constitui mais um
poderoso argumento a favor da redução. Assim, as receitas desta taxa podem (e
devem) servir para aliviar esta fatura que, através dos municípios, é paga por
todos nós. Ao contrário, a ecotaxa só será paga por quem quiser utilizar sacos
de plástico descartáveis, até porque os sacos que se destinam a entrar em
contacto direto com os alimentos (como os do talho ou da padaria), estão isentos.
Para os outros, usados apenas para transporte, há muitas alternativas.
Este tipo de
medidas já está em vigor em muitas cidades, regiões e mesmo países da União
Europeia, com resultados positivos. As vantagens, ambientais e económicas serão
muitas. A aprovação desta legislação colocará os Açores na vanguarda da
legislação de proteção ambiental a nível do nosso país. O planeta agradece e as
gerações futuras também.
17 Jan 2014



