A política açoriana atingiu um mínimo histórico com
o bloqueio da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os acidentes
e problemas surgidos com os novos ferrys de transporte marítimo de
passageiros entre as ilhas do Triângulo.
Este inquérito parlamentar destina-se a esclarecer o
processo de aquisição dos novos navios e de adaptação dos portos
do Triângulo, que para além de múltiplos problemas e um serviço
coxo, resultou também, tragicamente, num acidente mortal. Para isso
a Comissão ouvirá personalidades e instituições envolvidas, terá
acesso a projectos e relatórios e formulará conclusões.
Pretende-se assim retirar responsabilidades políticas (que as
criminais, se as houver, serão competência dos tribunais), para que
por uma vez as culpas não morram solteiras.
A falta de vontade da maioria socialista de que tudo
isto fosse investigado levou a que os partidos da oposição, todos
juntos, utilizassem o mecanismo da “criação potestativa”. Isto
é: a Comissão é criada forçosamente, sem qualquer votação.
Descontente, o PS inventou uma forma de bloquear o
funcionamento da Comissão: chumbou sistematicamente o nome indicado
para seu Presidente, no caso, um Deputado do PSD (a quem competia,
pelas regras parlamentares, nomear), eleito pelo círculo eleitoral
da Graciosa, a quem se tem de reconhecer competência e empenho,
independentemente das discordâncias políticas,
A justificação socialista: Não é um Deputado eleito
por qualquer uma das ilhas do Triângulo. É verdade, mas os
Deputados são regionais, independentemente do círculo porque são
eleitos e, se fossemos por aí, valeria a pena perguntar então como
é que o PS indica Deputados eleitos pela ilha de São Miguel, por
exemplo, para integrarem a Comissão. Desculpas que não enganam
ninguém! Trata-se de facto de um subterfúgio político de
baixíssima qualidade que se destina apenas a tentar impedir a
Comissão de fazer as suas averiguações.
Se antes se podia pensar que o acidente mortal resultava
de um conjunto de circunstâncias infelizes que se conjugaram, agora,
perante a preocupação da maioria socialista em ocultar as
circunstâncias do processo, parece claro que terá havido, pelo
menos, negligências sérias e enormes responsabilidades políticas
do Governo Regional.
É uma atitude grave porque ao querer que os problemas
com os navios do Triângulo não sejam esclarecidos, o PS abre a
porta a todo o tipo de especulações, não apenas em relação ao
sucedido no passado, mas também em relação à própria segurança
do serviço no presente e no futuro. Afinal, que garantias de
segurança se podem dar a quem viaja nos navios da Transmaçor?
Para desbloquear a situação, resta apenas à
Presidente da Assembleia Regional nomear como Presidente da Comissão
de Inquérito, a título interino, o Deputado indicado, sob pena de
também ela se tornar cúmplice desta política suja, que mancha a
imagem e esvazia o papel do Parlamento Regional.
Texto publicado no Jornal Incentivo
13 Março 2015
13 Março 2015










